13 de jan de 2004

Vergonha ou: Eu fui um punk de pracinha juvenil

Hoje novamente consegui contato extraplanar com a minha primeira namora, a Bianca. Toda uma certa preocupação que eu tinha quanto a ela estar bem ou não rapidamente passou na sua primeira demonstração de bom humor.

Deu para ver que minha última impressão do caso foi puramente fruto de um dia de mau humor dela, meu ou de ambos talvez.

A graça foi que lá pelas tantas começamos a nos lembrar das coisas imbecis que fazíamos ou que falávamos um para o outro no auge do nosso romance adolescente. Frustrante foi ela não lembrar da seqüência insana de tatibitatis que falávamos, quase que como um mantra, um para o outro em nossas despedidas telefônicas.

A Bianca desenterrou do fundo do poço uma frase que eu, com meus 14 ou 15 anos, ostentava em minha bolsa ou calça (e posteriormente bermuda) jeans:

Pela glória do Justiceiro e pela volta dos Dead Kennedys

Quando eu consegui controlar o riso tive que meditar, e muito, sobre essa pérola of mine.

Primeiro, se você contar que "justiceiro" engloba quadrinhos e RPG a frase sintetiza exatamente tudo que era a minha mente aos 16 anos: ler marvel, jogar SPD* e ouvir Slayer, Guns and Roses, Dead Kennedys, Ramones e os revimétaus da época. Bons tempos.

Também devo dizer que o Justiceiro não teve lá grandes dias de glória, salvo uma fase razoável que ele teve com o Garth Ennis escrevendo. O Dead Kennedys até voltou, mas voltou sem o Jello Biafra e cobrando irrealmente caro por um show no clube do América.

É isso então, minhas maiores expectativas da adolescência foram frustradas uma a uma. Vida cruel.

* O sistema de RPG que eu e meus amigos criamos a partir das lembranças que um de nós tinha de uma partida de AD&D jogada na Alfarrabista do Rio. Significava Sistema Poderoso e Destruidor. As vezes o nome era dito com alguns superlativos.

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