14 de set de 2005

Intelectualmente velho

Mesmo ainda burro se percebe a intelectualidade mudando com o tempo.

Hoje eu acho o Baudrillard bobamente histérico. Luther Blissett coisa de nerd prepotente e hermético (embora Q ainda seja um livro muito bom). Hakin Bey é divertido mas um tanto covarde.

Será que chegou a hora d'eu achar Proust interessante? Mas isso não era aos 40 anos? Eu mesmo estou matando os meus heróis da juventude. Isso é bom, não é?

A verdadeira lição de vida está nos desenhos animados. A coisa mais assustadora do mundo ainda é o quarto com um alce.

E o Sartre, heim? Todo aquele papo de que o inferno são os outros e coisas assim? Continuo não tendo vontade de reler essas coisas além das vezes que eu já li. A alma cada vez mais carece de fantasia, de bizarro, de distante.

Os outros são legais (o filme também é razoável), o outro não é você logo tem distância. Os outros são remédio para o tédio. Até ai o Inferno também pode o ser (não o filme, o IV Hellraiser, este é ruim mesmo). Logo aceito que pessoas e inferno são a mesma coisa enquanto cura para o tédio.

Inferno mesmo é o dia-a-dia. Com ou sem os outros.

12 de set de 2005

Quanto mais cedo pior.

Laura: Eu estou fazendo um trabalho de botânica, tenho que coletar várias espécies de plantas e construir um herbário.

Eu: Você sabe qual é a semente do poste?

Laura: Ahn? Poste?

Eu: É a semento.

Laura: Eu mereço.

Eu: Que horas são? 7:15 da manhã! Deve ser algum tipo de recorde. A piada ruim mais cedo do mundo.

Fim.

P.S.: Ela realmente deve me amar um bocado.

9 de set de 2005

Piada?

O Moby chega no Brasil, aí eu falo com ele:

- Cara, eu vou ler um livro do seu avô.

Ele responde:

- Acho melhor não.

Eu digo:

- Não faz a Barttle, by!

Fim.

Ok, essa só eu entendi, mas eu ri muito.

10 de ago de 2005

Perfeito



Já é bom.
De presente então, melhor ainda.
Com dedicatória da namorada mais doce que se pode ter, não tem preço.

Que delícia que é namorar quem te entende e sabe te agradar.

9 de ago de 2005

Elvis 2.0

Sobre esse assalto nos cofres do Banco Central do Ceará.
Eu só consigo imaginar o George Clooney e o Brad Pitty andando por fortaleza com roupas de turistas e planejando o assalto a caixa forte. Tudo isso tocando "a little less conversation" em background.

Um pequeno adendo ao post.

A quadrilha que assaltou o banco de forma quase hollywoodiana é liderada por um cara conhecido como "cabelo".

Nos resta apenas dizer em coro: BOA, CABELO!!!

28 de jul de 2005

Novamente, reflexões

Escrevi esse texto logo que entrei aqui na Halliburton.


"Elas são inevitáveis e confrontam fortemente todo o meu esforço consciente para não tê-las. Hoje, com meus 27 anos, a vida me força a olhá-la de frente, sem peneiras. Vem na forma de sonhos, de delírios e outras formas ainda mais criativas e surpreendentes. A vida, ou Deus, ou seja lá o nome que você queira dar, é imensamente criativa.

Muitas coisas não feitas, outras tantas mal feitas, casamento acabado, contatos, trabalhos e amizades perdidas, tudo está lá. Passado um longo e negro período de depressão e outras síndromes modernas, sobra apenas uma certa melancolia.

O cabelo já não é mais o mesmo e uma quantidade relevante dele se vê mais no ralo do que no topo da cabeça. A saúde já não é algo natural, inabalável, já exige uma certa vigilância. A tosse e o pigarro, cada vez mais constantes, refletem o outrora saboroso cigarro.

As formas já são mais arredondadas. Dizem que o casamento faz isso com um homem e, creio, eu cumpri bem essa parte do acordo. A ânsia por uma academia, uma atividade ou qualquer coisa assim já transcende a mera vontade jovem de gastar a energia acumulada, ou a de praticar peripécias e piruetas para se assimilar aos heróis preferidos de quadrinhos. Hoje, tudo isso soa muito mais como insegurança, insatisfação plástica e preocupação com a saúde, coisas bem características de uma tal crise que, me mentiram, chegaria apenas para lá dos 40 anos, quando eu colocaria um brinco e deixaria o cabelo crescer. Droga! Isso eu já fiz. A merda de ser precoce.

Irmão e muitos amigos chegando aos 30, eu a poucos anos de lá, ex-mulher já passando disso. Ex-namoradas com filhos e casadas há anos. Amigos casados, amigos separados, amigos se mudando para fora do país. Amigos falindo, amigos crescendo e eu me reconstruindo.

Uma boa chance de trabalho surge e é impossível não ser tocado de uma certa alegria, de sentir as coisas acontecendo. Por outro lado, fica sempre uma voz no fundo da cabeça lembrando que você está atrasado, que não faz mais que a obrigação.

Meus brinquedos, uns novos e outros velhos e conservados por minha obsessão, alguns dos quadrinhos que restaram, alguns dos livros, vinis, cds, arquivos de computador. Todos eles parecem olhar para mim com certo ar de saudade, eu retorno o olhar com uma promessa muda de retorno. Retorno talvez com uma sonhada aposentadoria, não importa o quão distante esteja, é a última chance de voltar a ser criança. Porém, uma criança ainda melhor, com mais prática, sustentabilidade e uma idéia um pouco menos vaga do que eu gosto ou não.


Tudo isso me remete a uma única imagem que me persegue há anos a fio. Desde antes de cursar o segundo grau, que já até mudou de nome. Um palhaço triste, cuja a maquiagem força o sorriso bobo. Cada dia mais cínico, um certo mal humor seletivo, que escolhe os lugares mais errados para aparecer. O bom humor chavão, as piadas, as tiradas infames, esta é a forma como eu sei Ser, não saberia Ser de outro modo, juro que já tentei. É bom sentir o aplauso, o reconhecimento através da simpatia dos amigos, da vontade que as pessoas manifestam de querer estar comigo, de fazer questão da minha presença. Mas depois do show, eu volto para casa, muitas vezes com dinheiro emprestado ou com o já separado que ficou seco na carteira a noite toda, tiro a maquiagem, a peruca, as calças balão e choro. Culpa minha, que raramente me abro de verdade e conto com pessoas que eu sei que poderia contar.


Uma política natural de não querer ser lembrado como "amigo chato reclamão" e sim como "cara gente boa e bem humorado" me tornou um pouco inumano, eu acho, meio personagem às vezes. Desculpe a todos que adorariam ser mais amigos meus e realmente me ajudar, mas eu só consigo chorar sozinho.

É complicado formatar esse texto, estou me reescrevendo pela enésima vez e, claro, sempre é confuso. Eu sou dotado de um otimismo natural em relação ao futuro, com o tempo ele passou a ser mais subjetivo. Hoje meu futuro não é mais materializado como era antes, eu não sei mais o que vai acontecer, embora eu saiba que está sob meu controle. Sei apenas que "eu vou estar bem", pois por pior que eu esteja esse otimismo já sublimado ainda estará lá. Já faz parte de mim.


É uma certa pressão no peito, uma certa solidão incurável, em grande parte a imobilidade financeira causa isso. Ganho dinheiro e pago contas, dívidas, resgato compromissos, então lá vou eu tentar ganhar mais dinheiro, tentando consertar uma vida completamente fora dos eixos. Acho que eu não sou muito bom nisso de administração pessoal, mas é tudo culpa da minha incapacidade de dizer não para quem eu gosto.


Espero em breve, fechar esse círculo. Dormir bem com as dívidas pagas, dormir mais amigo do espelho, dormir pensando em alguém que eu sei que está pensando em mim. Tomara que ao chegar lá eu leia esse texto e sinta vergonha de mim mesmo, que eu me sacaneie, que eu faça piada de mim mesmo nos botecos. Tomara que eu não mais me reconheça aqui, ou reconheça apenas o que deve ser reconhecido.


Me conheço. Mesmo que eu ainda esteja neste texto daqui a anos, ainda assim farei piadas sobre mim mesmo. No fundo, sinto que é para isso que eu sirvo.


Pausa para pensar mais e trabalhar, depois eu volto."


Só o que mudou de lá para cá é que eu ando um pouco menos duro de grana agora e já tenho alguém para pensar e "ser pensado". Essa pessoa inclusive gosta das minha formas arredondadas.

Ainda assim tem muito de mim nesse texto ainda, embora as coisas tenham melhorado e eu tenha andado até feliz. Que isso faça todas as pessoas que eu amo felizes também.

18 de jul de 2005

O Sabor que a vida tem

Antes de chegar na estação do metrô carioca, vindo do estácio, tem uma fila de quadros que formam uma animação devido a velocidade do trem. A primeira vez que eu vi eu pensei que era sequela do final de semana.

Estava eu com a minha tradicional cara de tacho olhando para fora do metrô esperando para saltar. Atrasado, para variar.

De repente eu vejo um guri me olhando e fazendo aquele sinal de silêncio cumplice do tipo "não conte para ninguém".

Meu primeiro pensamento foi "Agora fudeu, finalmente descolei da realidade de vez".

Então o guri pega uma quantidade gigante de linguiça crua e sai correndo rindo, me acompanhando. Eu estava sem fome, se não tinha pedido um naco. Quando ele deu tchauzinho o meu reflexo foi responder com um tímido aceno.

De repente: SEARA, o sabor que a vida tem.

Eu não sou vegetariano, muito pelo contrário, mas meu primeiro pensamento foi:

- Por que uma empresa que vende carne morta ta falando do sabor que a VIDA tem? Isso não faz sentido. O que isso tem a ver com o tal guri? Ahn tá. Uma propaganda, que maneiro.

Engraçado como a administração privada do Metrô do Rio de Janeiro está atochando publicidade onde pode e ganhando um bom dinheiro com isso. Até no entre estações eles arrumaram esse jeito bacana de vender uma imagem. Engraçado como dinheiro nenhum desses vai para o Estado do Rio também. Engraçado como ainda é função do Estado a expansão e o investimento no Metrô, cabendo a empresa privada administradora apenas a manutenção e a folha de pagamento.

Quem vai entender esses meandros corporativos/políticos, não é mesmo? Eu e meu amiguinho imaginário ladrão de linguiça não entendemos.

11 de jul de 2005

Fim de um ciclo

Ah, então assim é a sensação de alívio quando algo finalmente termina? Bem interessante, é uma paz esverdeada com um cheiro meio cítrico. Sinestésicas a parte hoje foi um dia marcante.


Carol foi-se. Foi-se como namorada, esposa e ex-mulher. Chega a Carol amiga, finalmente. Mesmo separados há mais de um ano, faltava ainda uma conversa, um papo definitivo que encerrasse de vez o ciclo de um relacionamento de amor, altos e baixos. Oito anos não são oito dias. Escrevo tudo isso com uma sensação nova, que nunca havia provado. Tenho 27 anos e muito para sentir ainda. A graça toda está no fato de que depois de certa idade você passa a perceber e apreciar melhor as novidades. Quando tudo é novo é complicado diferenciar os estímulos. Quase como que viver em meio ao caos. Quando já não tão jovial os sentimentos novos acabam tendo um brilho diferente, se destacam.


É um sentimento um tanto quanto melancólico, me parece. É a sensação que se tem quando você encaixota livros e discos para guardar no fundo do armário. Você olha para alguns, da um sorriso, coloca na caixa. Olha para outros, chora e coloca na caixa. Olha para algum especial e pensa "Ah! Esse fica!". Assim por diante, até lacrar a caixa, fechar o armário e ir embora com o sentimento de dever cumprido.


Terminou hoje mais um capítulo da minha autobiografia não autorizada, que um dia escreverei as escondidas de mim mesmo e publicarei sem o meu consentimento. Para o próximo capítulo uma personagem outrora central vai se manter, mas de outra forma, talvez e inevitavelmente, um pouco mais distante. Ainda assim, sempre relevante. Nesse capítulo que termina está a minha era das transformações, de menino para homem, de guri que curte desenhar para Designer, de um cara que achava que sabia das coisas para um cara que tem certeza de que não sabe é nada. De um rapaz de cabelo comprido para um... Bem, o rapaz de cabelo comprido continua.


Começou há alguns meses na minha vida um capítulo novo na minha história. Quem disse que logo a minha biografia seria linear? Então chega Laura. Uma menina doce, de outra cidade, mais nova, muito esperta e uma nerd não assumida, mas isso é apenas por hora, creio. Ela vem com um sorriso gratuito trazer um pouco de paz de espírito a um velho com menos de 30. Eu adoro olhar o papel em branco e estar com a caneta na mão. Esse mundo de possibilidades é quase que um retorno ao viver em meio ao supracitado caos. Adoro essa sensação de frescor. Esse sentimento não é novidade para mim, mas já estava no arquivo morto, junto com alguns livros e discos.


Carol, eu sei que por diversas vezes eu questionei se você era a pessoa certa para estar ao meu lado. Hoje isso já não importa mais. Já dizia nosso amigo Nicolas que nostalgia é coisa de quem tem memória fraca. Não me importa. Quero mesmo lembrar de você só pelo que tivemos de bom. Acho justo. "Obrigado por tudo e desculpe qualquer coisa". Não perco essa mania de pobre de falar isso nas despedidas. Eu sempre agradeço a Bianca por ela ter sido a pessoa ao meu lado na fase das descobertas, sempre vou agradecer a você por ter estado ao meu lado nessa fase de mudanças. Que sua vida daqui para frente seja a paz que sabemos que você merece. Que sua nova pessoa especial te dê a felicidade que por pequenas incompatibilidades tivemos tanta dificuldade de dar um para o outro, mas, ainda assim, guerreiros, conseguimos alguma.

Fluidez é tudo de bom que eu posso te desejar. Eu disse que 2005 ia ser o seu ano e até agora nada provou que eu estou errado. Amo você, creio que agora sim do jeito certo.


Laura, eu ainda não dei nome a fase que vou viver com você. Consolidações talvez. Não importa. Obrigado por estar na minha vida e já me fazendo tão bem. Não sei quanto tempo temos, quanto tempo vamos ter e adoro isso. Quero apenas continuar flutuando junto contigo, por quanto tempo for. Já amo você, do jeito que tem que ser: apaixonadamente.


De todos os post péla que eu já escrevi em minha vida, creio que esse seja o mais. Adendo a isso ainda rolaram algumas lágrimas e uma ligação para cada uma durante a composição desse texto. Estou misteriosamente feliz. Se não fosse tudo, reparem que eu disse tudo, dando errado aqui no trabalho, hoje teria sido um dia ótimo.


Uma boa semana para todos.

1 de jul de 2005

Abaixo aos textos!

É, é isso. Chega!

Chega de postar uma vez na vida e outra na morte devido ao vício em textos bem estruturados! Nunca mais ficar maturando e perdendo idéias que voam para longe devido a minha cisma em criar textos que pareçam bons e nem são! Devido as minhas incapacidades gramaticais.

De hoje em diante, liberdade para as frases soltas! Para linhas perdidas! Para o qualquer coisa!

Aqui no trabalho já perceberam a minha veia para comédia. Me tornei escritor oficial do "momento besteirol" que é uma lista paralela com as merdas com as pessoas falam aqui. Não vou postar esses momentos aqui, uma vez que em grande parte são piadas internas e, por muitas vezes, sem graças. Mas vão ai duas tiradas minhas que levaram o IT Rio da Halliburton as gargalhadas.

Primeiro: Durante uma conversa casual sobre digitação.
Alguém - Eu digito só com 3 dedos de cada mão.
Alguém - Eu digito sem olhar para o teclado quando me empolgo.
Alguém - Cara, eu poderia não ter o mindinho, eu não uso ele para nada durante a digitação.
Eu - Bem, você pode trair a máfia japonesa sem problemas.
*Gargalhadas*
Alguém - Romulo, como você consegue ter essa velocidade de raciocínio?
Eu - Cresci em Vicente de Carvalho.

Segundo: Conversa sobre a operação que a vó de um amigo de trabalho vai fazer.
Amigo - Cara, a operação já devia ter acontecido, mas minha vó tem problema de pressão alta.
Alguém - Como está a pressão dela?
Amigo - 21.
Eu - Cacete! Se derem um talho no braço dela voa sangue a uns 5 metros pelo menos.
Amigo - É mais ou menos isso mesmo.
Eu - Ela pode combater o crime com isso...
*Alguém se engasgando com água e o restante gargalhando*
Eu - Imagina só um lance meio homem-aranha. Fuiche, fuiche.

Pena que não é esse o meu trabalho.

4 de mai de 2005

Meu primeiro emprego

Quanto eu tinha uns 15 anos eu tive o meu primeiro emprego. Era aos sábados e eu era um desses garotos que vendem antecipadamente o jornal de domingo. Coisa que sempre achei meio surreal, tipo uma falha temporal. Há pouco tempo atrás tinha um seriado de ficção baseado nisso. Um cara que sempre recebia o jornal do dia seguinte e com isso tentava impedir as tragédias que podia. Não lembro o nome do seriado, de qualquer forma nunca vi ninguém tentar impedir coisa alguma no domingo em posse de um jornal de sábado. Domingo sempre foi um dia meio morto mesmo.


Eu achava o meu trabalho muito divertido. Eu ficava ali atrás do Carrefour de Vicente de Carvalho, tentando vender para as pessoas que por ali entravam. Era o pior ponto de todos, mas dizia o Roberto (amigão da época, dono da banca e que já não vejo há muito tempo) que eu tirava leite de pedra, e que vendia muito bem naquele ponto. Ficava lá com colete do jornal O DIA, gritando "Olhem que fantástico! O jornal de amanhã HOJE!", criava meus textos e piadas, o que parecia agradar as pessoas. Sempre fui um show man.


A outra parte divertida era pegar os jornais quando o expediente começava. Com Carrefour ainda vazio, eu pegava um carrinho de compras, entupia de jornais e saia em disparada. Correndo, brincando de patinete, adrenalina pura.


Uma vez, quando vinha na carreira, quase chegando ao meu ponto, vi uma moça parada com as compras. Pensei comigo mesmo: "vou fazer que nem o Akira! Vou parar certinho na frente dela para tirar onda e perguntar se ela quer o jornal". Acabei dando uma traulitada sem dó na mulher. O carrinho estava pesado e não consegui frear a tempo.


Tomei um esporro sem tamanho e eu não sabia onde enfiar a cara. Deve ser muito chato você ir cedo fazer compras para evitar tumulto e ser atropelado por um projeto de pivete adolescente com um carrinho apinhado de jornais O GLOBO. Pedi desculpas e ela acabou comprando o jornal. Acho que ela viu que eu estava sinceramente arrependido e constrangido. Hoje eu torço para que a mancha roxa no braço dela não tenha sido grande e nem tenha durado muito.


Era interessante trabalhar de jornaleiro. Eu reaplicava o dinheiro que ganhava na banca, comprando histórias em quadrinho, claro. Durante o início da minha carreira como designer esse "emprego" constou no meu curriculum como "Experiência com venda de impressos".


Se há algo que eu sei fazer, é vender o peixe. E o jornal também.

2 de mai de 2005

A fotopoética de Vicente de Carvalho

E foi assim: Vicente de Carvalho amanheceu sábado com vários e vários rolos de filmes 8mm amontoados, largados, empilhados em várias esquinas. Quando eu digo "vários" imaginem muitos mesmo. Cerca de uns 10 ou 20 rolos por esquina em pelo menos três esquinas.


Eu não sei de onde eles vieram, quem os colocou lá e porquê. Nem apurei isso. Provável que tenha sido apenas uma limpeza, uma faxina, num galpão qualquer. Provavelmente do SESI ou sabe-se Deus da onde.


As crianças se divertiram a valer amarrando uma ponta de filme em suas bicicletas e dando voltas e mais voltas pelos quarteirões, deixando o bairro tomado por fitas plásticas pretas. Observando umas aqui e ali eu vi um abajur, um casal conversando, um carro, uma mulher indo embora (câmera parada filmando as suas costas enquanto ela se afastava). Nada de muito significado, apenas recortes soltos. A cena maior que os englobava tinha muito mais peso.


Noves fora o vandalismo explícito de se jogar todo esse lixo não perecível nas ruas e das crianças que fizeram o favor de espalhar toda essa "produção" pelo bairro, não tem como não ser uma coisa impar, rara e que provavelmente nunca vou ver de novo.


Os filmes estão por lá ainda, pelo menos estavam nesta manhã. Voltaram a se entulhar em bolos e não estão mais espalhados pelas ruas. Em algum momento um grupo de garis vai reclamar muito disso e vai colocá-los num caminhão. Então, será o fim dessa instalação incidental (?). E não é assim mesmo que funciona?

No mesmo dia em que vi isso, vi no metrô um garoto, que não devia ter mais do que 16 ou 17 anos, falando com os pais sobre a estrutura de preconceito mostrada num filme qualquer. Sobre como a negra no filme era, sutilmente, insinuada como uma morta de fome, potencialmente ladra e como o deficiente tinha um final excluído e solitário. Era um garoto comum, daqueles que o preconceito geral que existe em relação à suburbanos, adolescentes e "normais", não deixaria esperar esse tipo de comentário. Mas ele os fazia e os fazia com propriedade.


Reflitam, ok?

30 de abr de 2005

Braian Moco, tu tem a voz fina. Você é viado?

Minha história com o show do Placebo é uma prova da minha tese sobre harmonia com o cosmo. Para começar eu enrolei muito para comprar minha entrada. Só fui ver isso na última semana. De primeira, eu fui ao am/pm do maracanã e ele estava fechado para obras (?!?). Depois meu irmão foi no Claro Hall e não conseguiu comprar por que tinha que ter uma procuração em meu nome. Para completar a minha "documentação" (as aspas são um tipo de "se é que vocês me entendem e eu acho que me entendem") não estava sendo aceita para pagar meia entrada. O terceiro ato foi uma amiga de MSN vendendo duas entradas a 50 reais, mas não rolou por embananação do pessoal da Emetevê. Nada disso me abalou, mantive a minha paz de espírito.


Vamos combinar que não ir ao show do Placebo não é razão para abalar a harmonia de ninguém, a não ser de alguém muito péla. Se ainda fosse o David Bowie, beleza, mas é só a filha dele. O que me abalaria seria pagar R$ 60 para ver o placebo e eu ia acabar pagando. Não tinha nada para fazer, até o meu irmão estava indo e eu já tinha combinado de encontrar mil gentes lá dentro.


Então, lá fui eu para o Claro Hall, conformado com a idéia de finalmente ter atingido a maturidade e, com isso, ter que pagar integralmente por alguma coisa. Ato que, creio, cometi pouquíssimas vezes na vida. Como era um show de losers, achei sincrônico sofrer uma derrota burocrática, ser finalmente pego pelo sistema. Lá chegando, com a minha harmonia em dia esbarrei com uma menina que trabalhava na Claro, havia ganho uma pá de ingressos e estava vendendo-os a 20 realetas. Comprei, agradeci e fui ver o show.


Entendam, crianças: sejam gratuitamente felizes e de bem com a vida e o universo vai conspirar a favor de vocês.

Agora sobre o show:

Vou tentar ser bem justo: sei que o show foi foda. Os caras realmente mandam bem, tem gás e são músicos competentes. A produção do show era super simples, apenas luz e nenhum cenário, bem o clima garajona que eles querem passar. Achei cabível e ideal. A qualidade do som estava impecável, fiquei realmente impressionado. Cada instrumento, sampler e voz estavam ali, com o volume e a equalização correta. Se essa turnê no Brasil foi toda assim pode virar, tranquilamente, um álbum ao vivo da melhor qualidade.


Agora, eu achei o show morno. Talvez por que eles estivessem cansados, depois de tantos shows pelo Brasil. Talvez por que seja essa a onda deles agora. Uma vez que a banda entrou num processo de maturidade, saem as batidas e as guitarradas para entrar os samplers e as músicas melosas. Eu esperava mais punch, mais força. Quando eles tocaram Every You Every Me fiquei felizão achando que o show todo seria naquela pegada, mas desse ponto para frente eles grudaram na melancolia com alguns momentos de pancadaria apenas.


Pequenos detalhes do show: baixista do placebo é uma versão abina do Lacraia.

Presenças e ausências sentidas. Muita gente boa estava lá e eu vi, muita gente boa estava lá e eu não vi e muita gente boa não pode ir.

28 de abr de 2005

Bolo

Fiz aniversário na terça passada, dia 26. Entre muitos e.mails nas listas que participo, quase 50 scraps no orkut, ligações, saídas marcadas e a presença sempre gratuita, garantida e necessária da minha trupe, me senti amado, querido e afins.

É bom de vez em quando.

Eu não tenho a trip clássica de pensar sobre a minha vida passada e futura e me deprimir com isso no meu aniversário. Tenho isso no fim do ano. Ali, entre o natal e o ano novo. Ficar em TPM (Tensão Pré ou Pós Maturidade) nessa época já é básico para mim. Principalmente depois que eu parei de ganhar brinquedos.

27 anos e contando. O tempo é inevitável e impessoal. Por que se ele fosse uma persona ia ter muita gente querendo lhe quebrar a cara.

18 de abr de 2005

Museu é a maior diversão

No domingo, eu, Thales e Fernando fomos levar as crianças para passear.
Ao ler "crianças" entenda um grupo de adolescentes e outros nem tanto que fazem parte de um forum que nós três, entre outros amigos, frequentamos.

Eu realmente acho bacana levar a gurizada para um museu, incitar alguma discussão crítica qualquer acerca da arte contemporanea e por aí vai. Fora o fato de que eu nunca tinha ido ao MAC e achei o lugar muito bonitinho e de clima agradável.

Só é chato ter que aturar a alcunha de "tio" vez ou outra, mas com o passar do tempo vai ser bom eu me acostumar com isso. É até bonitinho a gurizada se dirigindo a mim como "Tio Opium". Noves fora a questão policamente incorreta do meu apelido autoentitulado.

É isso. Ainda com saudades. Ainda atrasado com os trabalhos. Ainda preocupado com uma série de coisas. Ainda adulto, para bem ou para o mal.

16 de abr de 2005

Deus é muito criativo

Principalmente comigo.
Principalmente sobre certas questões.

Por vezes eu tenho vontade de olhar par cima e falar "Ok! Ok! Eu já entendi!!!". Eu tenho a impressão concreta de que toda vez que eu tento fazer algo que, de certa forma, é comum, cotidiano, quase que um hábito para uns e outros, mas que ainda assim é levemente errada, a energia cósmica de retaliação vem com toda força para cima de mim. Fazendo com que tudo dê realmente errado na pior configuração o possível. Logo é complicado não ficar pensando "Pô, mas tal parada assim e assim era muito pior e deu certo", "Pô, mas e Fulano? Já fez isso trocentas vezes e nunca deu merda!". Impossível não se sentir "pego para cristo" numa hora dessas, quando você perceber que a situação já parecia estar montada há eras para ser da pior maneira o possível.

Acho que é um talento que eu tenho. Mas esse, definitivamente, não serve para ganhar dinheiro e nem para combater o crime. Eu sempre tive carinho por heróis com poderes inúteis e surreais, acho que eu estou querendo bater algum tipo de recorde com os meus.

Sou paciente e gosto de gostar. Esse é o maior problema, creio. Tomo coisas como questão de honra depois de um tempo. O que faz com que eu me foda grandão quase sempre. Mas depois da relação que eu desenvolvi com o criador eu já passei a achar graça. Já olho para cima e falo "BOA, CABELO!!!" (só para deixar a nova piada interna aqui no blog). Deus e eu já temos os nossos hábitos, nossa sinergia, nossa previsibilidade, coisas de um bom relacionamento construído com o tempo, eu sei que eu vou ser sacaneado aqui e ele sabe que vai me sacanear de lá. Depois nós dois vamos rir muito disso.

Coisa de amigo mesmo, entende? Afinal, amigos sempre se sacaneam, se abraçam, podem contar um com o outro num momento de necessidade. Mas isso não muda o fato que qualquer mole que você dê vai resultar numa gracinha ou outra. Antes ser sacaneado pelos amigos do que pelos inimigos, sempre pensei assim. Por essas e outras eu prefiro ter o Todo Poderoso do meu lado e não contra. Afinal, se já é assim com nossa amizade, imagine sem.

Por essa que eu estou passando agora, só posso dizer uma coisa: "BOA, CABELO!!! Mas vê se dá uma aliviada e resolve o meu lado, na boa! Custa nada, né? Depois de tanto tempo de coisa escrota, um pouquinho de paz não vai abalar nossa amizade, não é verdade?"

Sei que ele me ouve. Espero que ele não tenha ficado ofendido por eu ter feito umas orações para o Batman também. Afinal, ele consegue resolver qualquer coisa, por que não os meus problemas também?

22 de fev de 2005

Procura-se banda

Que tope tocar comigo covers de Morphine com letras em português.

Entendam bem: ando pegando metrô lotado para ir e para voltar do trabalho. A minha diversão então passou ser versões em português das poucas músicas em inglês que eu sei a letra de cabeça. Como eu sou muito péla de Morphine, lá vou eu cantarolando em voz baixa no metrô. Quando eu voltar a poder ler no metrô, ou comprar pilhas recarregáveis para o meu disk man, essa brincadeira acaba mas até lá:

Caixa Vazia (cover do Morphine)

Então abri o pacote, era uma caixa vazia
Não saquei porquê da caixa vazia
Quem mandou foi ela
E disse que enviou tudo que eu nunca dei para ela
E disse: Encha e me mande de volta
Então mandei para ela uma caixa vazia
Puta besteira essa caixa vazia

Meio no escuro, meio na luz da lua
E meio maluco tipo um som na noite

Eu estava num vale e 'tava escurão
Então olhei pra trás
Eu não vejo de onde eu vim, eu não vejo minhas mãos
Eu nem sei se eu tô de olho aberto!

De manhã eu estava num mar
e nadei para o mais longe que eu podia
até estar cansado de nadar, daí eu flutuei
tentei me recuperar
Então uma caixa vazia veio flutuando
E nessa caixa logo fui entrando

Meio no escuro, meio na luz da lua
e meio maluco

Eu juro, eu fiz para casar direitinho e já cantei acompanhando a música algumas vezes e soa muito legal. Segue letra original para vocês darem uma olhada.

Empty Box

I tore open the package it was an empty box no meaning to me just anempty box
sender was a woman
she said she's sending me everything I never gave her before
she said: Fill it up + send it back
so I sent her back an empty box.
A big mistake, sent back an empty bo

half in the shadows, half in the husky moonlight
and half insane just a sound inthe night

I enter a valley so dark
that when I look back I can't seewhere I began
I can't see my hands, I don't even know if my eyes are open.
In the morning I was by the sea and I swam out as far as I couldswim
'til I was too tired to swim anymore and then I floated and triedto get by strength back.
Then an empty box came floatin' by
an empty box and I crawled inside

half in the shadows, half in the huskymoonlight
+ half insane


Então é isso, espero um baixista, um saxofonista e um baterista que topem isso. Eu já to terminando o cover de Early to bed, Potion e Supersex também.

16 de fev de 2005

Memória infeliz

Alguém mais lembra de um programa de TV da globo, dos anos 80, que era um colégio ou qualquer coisa assim?

Nesse programa o Romulo Arantes, eu acho, era um marmanjo que mesmo sem ser traveco, ou gay, era cross dresses e usava apenas roupas de mulher.

Segundo ele mesmo explicava num episódio, a mãe dele o vestia de mulher quando mais novo e ele não conseguiu se adaptar à roupas masculinas.

Trash.

11 de fev de 2005

Bowie e Maia

O David Bowie É o cara mais legal da música e ponto final. Vejam isso aqui.

Como esses links saem do ar, eu faço o registro no blog tb:

David Bowie quer gravar música de Tim Maia - 04/02/2005

O camaleão inglês estaria interessado em regravar músicas do “síndico”, especificamente da sua fase “racional”, que para quem não sabe, compreende 2 trabalhos, que são considerados os melhores de Tim: “Tim Maia Racional Vol. 1” (1975) e “Tim Maia Racional Vol. 2” (1976), ambos nunca relançados em CD.

A informação foi revelada pelo filho de Tim, Carmelo Maia. Ele afirmou que o seu primo, o cantor Ed Motta, colocou o britânico em contato com ele. “Meus advogados estão cuidando disso. Mas ainda não decidimos se vamos autorizar. Vai depender do dinheiro. Não posso liberar esta ‘jóia’ assim de graça”, disse Carmelo.

11 de jan de 2005

A imagem forte

Eu lembro de um episódio de Dilbert em que ele começava a virar um galinha pois não conseguia pensar em um nome para um produto.

PCÓ!

Digo isso porquê fui incumbido de uma tarefa ingrata. Com certeza vários designers já passaram por isso. Eu devo encontrar uma "imagem forte" para agregar valor as diretivas novas da empresa para este ano. Estou há uns 4 dias pesquisando imagens, testanto conceitos de design, ilustrações, montagens e ouvindo "não, não, não e não".

De fractais à cestas de basquete estou num dos últimos dias da brincadeira. Se até o fim dessa semana eu não tiver criado uma "imagem forte" eu vou virar uma galinha também.

9 de jan de 2005

Prazer Besta

Eu queria fazer um programa de TV, na linha de No Limite, com esse nome.

Assistindo ao noticiário eu vejo reportagem sobre pessoas que morrem praticando "esportes radicais", como escalar o Aconcágua ou alguma coisa assim.

Tenho amigos alpinistas que contam passagens escabrosas como atravessar um buraco escalando, sendo que à sua direita está um ninho gigantesco de aranhas.

Um desses amigos está na Bolívia e mandou um e.mail detalhando a viagem no trem da morte.

Parece que certas pessoas têm essa mania de passar perrengue e ser feliz com isso.

A forma mais branda que eu conheço disso é acampar.

6 de jan de 2005

Desfibrilador

Embora um grande amigo tenha me dito nos últimos dias "você não deveria ter blogs e fotologs, você deveria fazer algo de útil", eu não posso dizer que não sinto falta.

Se eu traçar um paralelo pífio de minha vida com a vida desse blog eu vou chegar a conclusão de que quando eu parei de postar tudo começou a ir de mal a pior. Óbvio que eu estou apenas criando mais uma superstição boba da era digital, assim como fechar os olhos para um download ir mais rápido. Acreditem, funciona!

Ainda assim 2004 foi um ano ruim e pode perfeitamente ter sido o meu blog com fome, pedindo comida e parando de trocar bons fluidos comigo. Como eu não acredito em grande parte dessas balelas nova era, eu vou citar pelo menos alguns motivos concretos para o meu interesse estar de volta aqui.

Primeiramente eu digo: se 2004 teve algo de bom foi eu ter tido contato com grupos mais diversos de pessoas e ter feito amigos neles. Percebi então que eu poderia, perfeitamente, ter conhecido essas pessoas legais muito antes se eu, simplesmente, tivesse sido mais assíduo na minha pequena produção textual.

Segundamente eu digo: O mesmo amigo que me aconselhou a fazer algo de útil e concreto na minha vida me aconselhou também a contar mais com os amigos, repartir mais os meus problemas e buscar ser mais próximo das pessoas que amo e cujo o sentimento é mútuo. Hoje, feliz ou infelizmente, eu sou um adulto. Expediente de mais de oito horas, trabalhos em casa, preocupações financeiras entre outras coisas. Sendo assim volto para o blog para voltar a dar notícia, voltar a existir para pessoas que deram pela falta de mim e que, por uma razão ou outra, não podem estar comigo tanto quanto gostaríamos.

Volto porquê eu gosto de falar e tenho andado muito quieto.

Vamos ver quanto tempo dura.

Conclusão do dia: minha autoestima cai muito quando estou sem barba.