30 de abr de 2005

Braian Moco, tu tem a voz fina. Você é viado?

Minha história com o show do Placebo é uma prova da minha tese sobre harmonia com o cosmo. Para começar eu enrolei muito para comprar minha entrada. Só fui ver isso na última semana. De primeira, eu fui ao am/pm do maracanã e ele estava fechado para obras (?!?). Depois meu irmão foi no Claro Hall e não conseguiu comprar por que tinha que ter uma procuração em meu nome. Para completar a minha "documentação" (as aspas são um tipo de "se é que vocês me entendem e eu acho que me entendem") não estava sendo aceita para pagar meia entrada. O terceiro ato foi uma amiga de MSN vendendo duas entradas a 50 reais, mas não rolou por embananação do pessoal da Emetevê. Nada disso me abalou, mantive a minha paz de espírito.


Vamos combinar que não ir ao show do Placebo não é razão para abalar a harmonia de ninguém, a não ser de alguém muito péla. Se ainda fosse o David Bowie, beleza, mas é só a filha dele. O que me abalaria seria pagar R$ 60 para ver o placebo e eu ia acabar pagando. Não tinha nada para fazer, até o meu irmão estava indo e eu já tinha combinado de encontrar mil gentes lá dentro.


Então, lá fui eu para o Claro Hall, conformado com a idéia de finalmente ter atingido a maturidade e, com isso, ter que pagar integralmente por alguma coisa. Ato que, creio, cometi pouquíssimas vezes na vida. Como era um show de losers, achei sincrônico sofrer uma derrota burocrática, ser finalmente pego pelo sistema. Lá chegando, com a minha harmonia em dia esbarrei com uma menina que trabalhava na Claro, havia ganho uma pá de ingressos e estava vendendo-os a 20 realetas. Comprei, agradeci e fui ver o show.


Entendam, crianças: sejam gratuitamente felizes e de bem com a vida e o universo vai conspirar a favor de vocês.

Agora sobre o show:

Vou tentar ser bem justo: sei que o show foi foda. Os caras realmente mandam bem, tem gás e são músicos competentes. A produção do show era super simples, apenas luz e nenhum cenário, bem o clima garajona que eles querem passar. Achei cabível e ideal. A qualidade do som estava impecável, fiquei realmente impressionado. Cada instrumento, sampler e voz estavam ali, com o volume e a equalização correta. Se essa turnê no Brasil foi toda assim pode virar, tranquilamente, um álbum ao vivo da melhor qualidade.


Agora, eu achei o show morno. Talvez por que eles estivessem cansados, depois de tantos shows pelo Brasil. Talvez por que seja essa a onda deles agora. Uma vez que a banda entrou num processo de maturidade, saem as batidas e as guitarradas para entrar os samplers e as músicas melosas. Eu esperava mais punch, mais força. Quando eles tocaram Every You Every Me fiquei felizão achando que o show todo seria naquela pegada, mas desse ponto para frente eles grudaram na melancolia com alguns momentos de pancadaria apenas.


Pequenos detalhes do show: baixista do placebo é uma versão abina do Lacraia.

Presenças e ausências sentidas. Muita gente boa estava lá e eu vi, muita gente boa estava lá e eu não vi e muita gente boa não pode ir.

28 de abr de 2005

Bolo

Fiz aniversário na terça passada, dia 26. Entre muitos e.mails nas listas que participo, quase 50 scraps no orkut, ligações, saídas marcadas e a presença sempre gratuita, garantida e necessária da minha trupe, me senti amado, querido e afins.

É bom de vez em quando.

Eu não tenho a trip clássica de pensar sobre a minha vida passada e futura e me deprimir com isso no meu aniversário. Tenho isso no fim do ano. Ali, entre o natal e o ano novo. Ficar em TPM (Tensão Pré ou Pós Maturidade) nessa época já é básico para mim. Principalmente depois que eu parei de ganhar brinquedos.

27 anos e contando. O tempo é inevitável e impessoal. Por que se ele fosse uma persona ia ter muita gente querendo lhe quebrar a cara.

18 de abr de 2005

Museu é a maior diversão

No domingo, eu, Thales e Fernando fomos levar as crianças para passear.
Ao ler "crianças" entenda um grupo de adolescentes e outros nem tanto que fazem parte de um forum que nós três, entre outros amigos, frequentamos.

Eu realmente acho bacana levar a gurizada para um museu, incitar alguma discussão crítica qualquer acerca da arte contemporanea e por aí vai. Fora o fato de que eu nunca tinha ido ao MAC e achei o lugar muito bonitinho e de clima agradável.

Só é chato ter que aturar a alcunha de "tio" vez ou outra, mas com o passar do tempo vai ser bom eu me acostumar com isso. É até bonitinho a gurizada se dirigindo a mim como "Tio Opium". Noves fora a questão policamente incorreta do meu apelido autoentitulado.

É isso. Ainda com saudades. Ainda atrasado com os trabalhos. Ainda preocupado com uma série de coisas. Ainda adulto, para bem ou para o mal.

16 de abr de 2005

Deus é muito criativo

Principalmente comigo.
Principalmente sobre certas questões.

Por vezes eu tenho vontade de olhar par cima e falar "Ok! Ok! Eu já entendi!!!". Eu tenho a impressão concreta de que toda vez que eu tento fazer algo que, de certa forma, é comum, cotidiano, quase que um hábito para uns e outros, mas que ainda assim é levemente errada, a energia cósmica de retaliação vem com toda força para cima de mim. Fazendo com que tudo dê realmente errado na pior configuração o possível. Logo é complicado não ficar pensando "Pô, mas tal parada assim e assim era muito pior e deu certo", "Pô, mas e Fulano? Já fez isso trocentas vezes e nunca deu merda!". Impossível não se sentir "pego para cristo" numa hora dessas, quando você perceber que a situação já parecia estar montada há eras para ser da pior maneira o possível.

Acho que é um talento que eu tenho. Mas esse, definitivamente, não serve para ganhar dinheiro e nem para combater o crime. Eu sempre tive carinho por heróis com poderes inúteis e surreais, acho que eu estou querendo bater algum tipo de recorde com os meus.

Sou paciente e gosto de gostar. Esse é o maior problema, creio. Tomo coisas como questão de honra depois de um tempo. O que faz com que eu me foda grandão quase sempre. Mas depois da relação que eu desenvolvi com o criador eu já passei a achar graça. Já olho para cima e falo "BOA, CABELO!!!" (só para deixar a nova piada interna aqui no blog). Deus e eu já temos os nossos hábitos, nossa sinergia, nossa previsibilidade, coisas de um bom relacionamento construído com o tempo, eu sei que eu vou ser sacaneado aqui e ele sabe que vai me sacanear de lá. Depois nós dois vamos rir muito disso.

Coisa de amigo mesmo, entende? Afinal, amigos sempre se sacaneam, se abraçam, podem contar um com o outro num momento de necessidade. Mas isso não muda o fato que qualquer mole que você dê vai resultar numa gracinha ou outra. Antes ser sacaneado pelos amigos do que pelos inimigos, sempre pensei assim. Por essas e outras eu prefiro ter o Todo Poderoso do meu lado e não contra. Afinal, se já é assim com nossa amizade, imagine sem.

Por essa que eu estou passando agora, só posso dizer uma coisa: "BOA, CABELO!!! Mas vê se dá uma aliviada e resolve o meu lado, na boa! Custa nada, né? Depois de tanto tempo de coisa escrota, um pouquinho de paz não vai abalar nossa amizade, não é verdade?"

Sei que ele me ouve. Espero que ele não tenha ficado ofendido por eu ter feito umas orações para o Batman também. Afinal, ele consegue resolver qualquer coisa, por que não os meus problemas também?