18 de jul de 2005

O Sabor que a vida tem

Antes de chegar na estação do metrô carioca, vindo do estácio, tem uma fila de quadros que formam uma animação devido a velocidade do trem. A primeira vez que eu vi eu pensei que era sequela do final de semana.

Estava eu com a minha tradicional cara de tacho olhando para fora do metrô esperando para saltar. Atrasado, para variar.

De repente eu vejo um guri me olhando e fazendo aquele sinal de silêncio cumplice do tipo "não conte para ninguém".

Meu primeiro pensamento foi "Agora fudeu, finalmente descolei da realidade de vez".

Então o guri pega uma quantidade gigante de linguiça crua e sai correndo rindo, me acompanhando. Eu estava sem fome, se não tinha pedido um naco. Quando ele deu tchauzinho o meu reflexo foi responder com um tímido aceno.

De repente: SEARA, o sabor que a vida tem.

Eu não sou vegetariano, muito pelo contrário, mas meu primeiro pensamento foi:

- Por que uma empresa que vende carne morta ta falando do sabor que a VIDA tem? Isso não faz sentido. O que isso tem a ver com o tal guri? Ahn tá. Uma propaganda, que maneiro.

Engraçado como a administração privada do Metrô do Rio de Janeiro está atochando publicidade onde pode e ganhando um bom dinheiro com isso. Até no entre estações eles arrumaram esse jeito bacana de vender uma imagem. Engraçado como dinheiro nenhum desses vai para o Estado do Rio também. Engraçado como ainda é função do Estado a expansão e o investimento no Metrô, cabendo a empresa privada administradora apenas a manutenção e a folha de pagamento.

Quem vai entender esses meandros corporativos/políticos, não é mesmo? Eu e meu amiguinho imaginário ladrão de linguiça não entendemos.

4 comentários:

ton disse...

Ha ! não fui só eu que achei esse mulekinho bizarro !

Giovanna Cantarelli disse...

Ok. Minhas viagens de metrô jamais serão as mesmas..

E eu já tinha ficado bolada no dia em que vi um casal de bichas surdas no metrô.

Paulo disse...

Podia ser pior. Você podia ter sido assaltado por um Oompa Loompa de skate... nao... espere... isso fui eu.

Drogas!

Xianey disse...

Eu não me assustei com o molequinho porque um dia antes, dentro do metrô, estava eu filando o jornal Valor Econômico do sujeito ao lado, que dizia que a Seara tinha sido comprada pela Kraft e iria voltar a investir pesado em publicidade, e que tinha fechado um acordo com o metrô pra passar um videozinho mudo entre uma estação e outra.
Filar jornal alheio no metrô também é cultura :P