14 de fev de 2007

Sobre a dificuldade de ser

Hoje teve um desses eventos motivacionais aqui na Empresa. Em linhas gerais, foi um belo café da manhã para um grupo de funcionários escolhidos aleatoriamente. Durante o evento, algumas dinâmicas de grupo davam o tom de integração, planejamento estratégico e afins. Sempre divertido conhecer outras pessoas que fazem parte da mesma organização que eu, só que exercendo outras competências.

Durante uma das dinâmicas, você se apresentava e comentava seu papel na Empresa. Nada original, mas sempre necessário. Aí vem a parte onde eu falo de Arquitetura de Informação e tento agregar algum valor ao meu cargo. Eu costumo me sair bem dessas situações, desde o início da minha carreira como Designer tenho que parar para explicar o que eu faço. Designer não tem uma carga semântica com o peso de Engenheiro, Médico, Advogado e por aí vai. Sou uma vítima da modernidade. Essa última frase é uma piada e eu espero que você tenha percebido.

Pensando na dificuldade que tenho para definir o que ocupa a maior parte do meu tempo, descobri que tenho dificuldade para explicar qualquer coisa que diga respeito a mim mesmo. Eu não sei explicar meu gosto musical, eu não sei explicar minha situação financeira (sempre precária não importa o quanto eu ganhe), eu não consigo explicar meus relacionamentos e afins. Eu tenho um conjunto de textos prontos que copio e colo nas situações chaves, mas qualquer "por que" perguntado faz com que eu caia num ponto não óbvio em que aprendi - depois de muito tempo - a dizer "não sei".

Ontem, numa reunião com um cliente, houve um questionamento sobre o produto que estou desenvolvendo. Respondi rápido e certeiro como se perguntassem meu nome ou o nome dos meus pais. Respondi na velocidade do óbvio.

Conclusão: as coisas que eu faço têm mais personalidade do que eu. Elas nascem bem definidas, com propósitos certeiros e cumprem o seu papel sem dúvidas existenciais. Já eu pareço viver através delas e não o contrário. Sou bom na medida em que o que eu desenvolvo é bom e a inversão dos valores dessa frase mantém a sua verdade.

Mesmo fora do meu ambiente de trabalho isso se mantém. Sou ou não sou a partir do que eu faço ou não faço. O caminho reverso disso é você perceber (estando correto ou não) que não faz algo bem e se entender a partir disso. No fim das contas você pode ser um monte de coisas, mas vai ter sempre uma pesando mais do que as outras. Apenas torçam para não ser essa uma a cair.

Nenhum comentário: