2 de nov de 2007

Lifecasting: o entretenimento do futuro

O entretenimento do "futuro" vai ser o lifecasting.

Esse conceito já existe e está ganhando peso e consistência. Lifecasting é o que, timidamente, o Twitter pode oferecer. Com o aumento das tecnologias móveis de interação social e do volume de informação na rede, o público vai consumir público.

A internet não é mais um universo paralelo, está se tornando o todo informacional que nos cerca. Com esse volume de informação, o maior valor do que será vendido não será o conteúdo, mas filtros de conteúdo. Ninguém vai ter tempo de encontrar a informação que o entretem e vai delegar essa tarefa a outra pessoa. Vamos pagar para acompanhar a vida de quem estiver disposto a compartilha-la. Vamos comprar olhares.

O lifecaster será uma pessoa conectada. Que ao andar pela rua vai compartilhar videos, fotos, audio, texto, hiperlink do que acha interessante, divertido ou pertinente. Vamos acompanhar em tempo real o lifecaster e vamos pagar por isso espontaneamente, no modelo "in rainbows". Vamos sustentar de boa fé pessoas que consideramos interessantes e que nos oferecem um recorte diferenciado do mundo. A monetização definitiva.

Todos serão Big Brothers no sentido real da palavra: observadores. Todos serão Big Brothers no sentido popular que o termo ganhou: observados. O hype moverá os consumidores de lifecasters de um lado para o outro, engordando as contas daqueles que conquistarem o público por alguns instantes. A cauda longa sustentará os lifecasters que tenham um perfil melhor definido. Comunidades se organizarão em torno de pessoas que se organizarão em comunidades. Lifecasters terão dúvidas existenciais e identitárias e vão ser bem pagos para expor suas divagações sobre a libertada e o sujeito.

Celebridades assinarão contratos de lifecasting e vão brigar no mercado junto com pessoas que não tem o apoio de nenhuma grande rede de comunicação. Lifecasters serão chamados para eventos, serão VIPs, receberão produtos gratuitamente. Lifecasters serão sondados por grandes redes de comunicação, propostas milionárias serão oferecidas para merchandising. Topar o pacto de fausto será um risco. Merchandising Paranóia: deixe seu público perceber que você é um anunciante e perca-o.

Um designer que ande pelas ruas de Paris fotografando, filmando, comentando, podcastiando e pensando a moda, as tendências, os delírios e afins será um lifecaster.

Nerds que jogam boas aventuras de RPG vão transmiti-las com apoio de ferramentas que suportem uma interface tridimensional, criando animações cinemáticas em tempo real como seriados de TV.

Pessoas viajarão o mundo todo com os recursos de seu lifecasting. Serão turistas profissionais, agraciados pela sua capacidade de mostrar o que é de interesse de um determinado grupo. Seja turismo antropológico, culinário, sexual ou artístico.

Prostitutas vão ser lifecasters pornôs, assim como garotos de programa, gigolôs ou simplesmente jovens de vida sexual liberada. Todos serão astros pornôs, compartilhando o lucro de lifecastings conjuntos. Softwares administrarão isso.

Desenvolvedores vão colocar todo o processo de pensar, analisar e programar na rede em tempo real e receberam dinheiro por abrirem a mente para outros programadores.

Lifecasters apoiarão e trairão uns aos outros, formar-se-a uma rede de casters e a própria luta entre eles será lifecasted. Você nunca vai saber se está no programa de outra pessoa, apenas quando cair dinheiro na sua conta pay pal devido ao share de sua imagem. Você vai ter o poder de se "desabilitar", mas poucos vão fazê-lo.

Tudo isso já começou. Seja interessante agora.

Esta foi minha contribuição para uma discussão muito boa sobre privacidade na comunidade de cibercultura.

7 comentários:

André disse...

Ei, isso parece promissor. Quem aí pagaria por um livecasting meu?

Yuri disse...

Texto muito bom, mas não dá para tomar como realidade absoluta, principalmente porque um grande grupo de pessoas ainda se preocupa mais com sua própria vida do que com o que o outro está fazendo.
É encasulamento de mais para o meu gosto

alesscar disse...

vim da ciber pra cá e agora te linkei no twitter, blz? ;)

Renan Reis disse...

Nunca havia pensado nisso. isso realmente pode ser possível, e de certa maneira ocorre. Os próprios bloggers mega acessados, perfis de orkut, fotolog, etc. As pessoas se interessam pela visão que outros tem, assim como a explanação da vida deles, fotos das festas hypes que eles vão, ou até mesmo estilo musical e de roupa.

Gostei da redação...

Pequena disse...

Ei, conheci seu blog agora e adorei esse texto. Eu acho que sou um caso de futuro lifecasting, hihihi. Vem visitar meu blog e você vai entender.

um beijo.

Pequena disse...

ah, o endereço: hojevouassim.blogspot.com

beijo.

Acréscimos - Ano II disse...

acrescimos.blogspot.com