3 de dez de 2008

Cansado de olhar

Quando eu comecei a estudar Design, uma professora muito boa que tive logo nos primeiros períodos disse que "design era um modo de olhar". Com isso ela quis dizer que nunca mais íamos olhar as coisas da mesma forma. Depois que você estuda semiótica e descobre o que cérebro é uma máquina de perceber padrões e produzir sentidos você passa a pensar olhar através das coisas para tentar alcançar seus significados.

Quando comecei a estudar Ciências Sociais, um professor me falou que o sociólogo nunca para de trabalhar, pois seu objeto de estudo está em torno dele o tempo todo. Com isso vem a mania chata de intelectualizar tudo em volta, que transformar qualquer banalidade em questão e todo grande evento numa problemática.

Para não incomodar as pessoas em volta que, com muita razão, não querem um pentelho discursando sobre qualquer coisa, a gente aprende e guardar esse excesso de análises para si e só colocar para fora o que for conveniente para o bom papo. Embora me policie para não "invadir" ninguém com meus excessos sociológicos típicos que um graduando raso e empolgado, ainda não aprendi a me proteger desses excessos.

Acredito que deva existir um nirvana sociológico onde você aprende a desligar sua "sensibilidade sociológica" ou seja lá o que for. Um ponto onde você pode sair para curtir o carnaval sem ficar pescando os significados ocultos e as lógicas internas de cada fantasia e ritual do samba. Sinceramente? Não vejo a hora disso chegar.

Muito cansado para pensar.

26 de nov de 2008

Sobre como eu vejo as minhas notas na faculdade

O contexto é longo, mas eu vou encurtar.

Minha primeira experiência numa faculdade foi traumática. Juntou a bagunça do serviço público com minha irresponsabilidade adolescente e o resultado foi terrível. Abandonei a faculdade no quarto ano durante uma greve que já durava meses e fui trabalhar. Meu CR era algo como 4,5 devido as muitas matérias que abandonei e trabalhos ruins que entreguei.

Hoje, na minha segunda experiência num bacharelado, CR se tornou uma questão de honra. Pretendo me graduar mestre e doutor e mesmo sendo o CR nada determinante não quero que ele me falte na hora de um desempate. A partir disso, criei a minha interpretação do que querem os professores dizer ao dar notas para alunos num curso de Ciências Humanas. Segue:

Entre 0 e 5,5:
- Vai embora daqui, nunca mais quero ver você na vida.

Entre 6 e 7,5:
- Termine logo essa faculdade e suma.

Nota 8 (o CR de corte para alguns mestrados):
- Eu até aceito que você vire um acadêmico, mas não sou eu que vou ajudar você a chegar lá. Equivale a uma abstenção.

Entre 8,5 e 9,5:
- Eu quero que você vá para o mestrado, mas respeito os colegas que não concordarem com minha opinião.

Nota 10:
- Você pode ser útil para mim, tome esse biscoito.

25 de nov de 2008

Relativismo: até onde há ciência?



Palestrantes:
Prof.° Ms. José Colaço – Doutorando em Antropologia. PPGA/UFF.
Prof.° Ms. André Campos – Doutorando em Filosofia UFRJ.

Dia 28 de novembro, sexta-feira às 21h

Universidade Cândido Mendes

Auditório Darcy Ribeiro,
11° andar, Instituto de Humanidades Pio X.

Já tive aula com os dois palestrantes, os caras são feras.
Evidentemente as pessoas vão beber depois da palestra.

13 de nov de 2008

Jogador

Empurrou a torre preta para a fileira do rei. A outra cobria a fuga do monarca e ninguém lhe dava proteção.

- Xeque mate – disse com tédio.

- Ok, agora role o dado para ver quantas casas você vai andar – Falou o adversário, um sujeito muito sério.

- Como disse? – pensou.

Começou a perceber que havia algo errado. Teve certeza de que as coisas não estavam corretas quando seu adversário baixou dois pares, um de reis e outro de oitos e perguntou se ele tinha coisa melhor em mão.

Arrancou furiosamente o indutor de memórias da cabeça. Era um equipamento bobo, parecia uma aranha com patas finas de metal. No miolo, que ficava no topo da cabeça quando o equipamento era usado, tinha um pequeno disco com uma seqüência de pensamentos gravados. Devido ao seu preço baixo, era praticamente descartável. Jogou a aranha para um canto da sala onde se empilhavam várias delas e foi para a rua.

Ia reclamar com o camelô que o vendeu. Não suportava mais ser enganado. Isso é que dá comprar coisas de procedência duvidosa, sem nota fiscal e sem declaração direta com o imposto de renda. O risco de receber padrões de memória truncados que geram pensamentos desconexos era muito maior. Pelo menos os vendidos em lojas tinham o selo do órgão regulador das memórias, o Imemo.

Pegou um ônibus até o terceiro centro da cidade, onde ficava a maior concentração de comerciantes informais. Chegou e correu para debaixo do telhado que cobria o lugar, pois começava a chover. A telha era, na verdade, um emaranhado de fios que cobria alguns quilômetros quadrados de extensão. Graças a essa teia, nenhum equipamento de rastreamento fiscal funcionava no camelódromo.

Andou, dobrou esquinas, se espremeu em vielas, foi empurrado por uma comerciante gorda que arrastava duas araras de camisetas fora de moda e chegou ao setor de indutores de memória. Havia quase uma centena de vendedores, todos com suas aranhas de metal sobre placas de compensado ou papelão. O formato dos indutores era padronizado, mudavam apenas as células de gravação.

Qualquer um podia fazer um indutor de memória. A mídia era muito barata. A armação de plástico e metal leve custava poucos centavos se comprada em quantidade. O driver para gravar os discos podia ser baixado em diversos sites na Internet, assim como diversos conteúdos diferentes. Para gravar, bastava estar com uma aranha na cabeça e pensar as palavras-chave que iniciavam a gravação. A aranha registrava os impulsos elétricos correndo pelo cérebro nos seus mínimos detalhes. Depois era só pensar em desligar e pronto.

O único problema era a falta de compatibilidade entre os cérebros. Uma memória só era reproduzida da mesma forma no mesmo cérebro em que fora gravada, em qualquer outro apresentaria distorções e poderia perder totalmente o sentido. Porém, como tudo na vida, as pessoas se acostumaram a isso. Virou uma diversão a parte compartilhar impulsos cerebrais com amigos e experimentar sensações diferentes. Os resultados variavam bastante de cabeça para cabeça. Pessoas colecionavam as memórias com as quais tinham maior compatibilidade. Casais se apaixonaram e casaram por perceber que seus cérebros geravam memórias compatíveis. Outros se separaram pela mesma razão. Da mesma forma, alguns gostavam das distorções e buscavam com afinco pelas memórias que menos fizessem sentido em suas cabeças.

Todo esse risco não impediu que o comércio de memórias gravadas fosse um sucesso. Pelo contrário, o fator sorte desse jogo era a parte mais atraente dele. Celebridades vendiam suas memórias por verdadeiras fortunas antes que fossem pirateadas e estivessem de graça na Internet. Profissionais do sexo gravavam noites de luxúria e vendiam para os solitários. Claro que havia um mercado negro de memórias de assassinatos, estupros, crimes e tabus. Dizem que um homem em Sanaa, no Yemen, arrematou num site a memória de uma extirpação de clitóris e que não foi barato.

Ele só queria vencer um jogo. Toda a vida sempre gostara de jogar. Jogou cartas, jogou futebol, jogou jogos eletrônicos. Nunca foi particularmente bom nisso a ponto de conseguir um patrocínio ou, pelo menos, vender as próprias memórias de jogador. Pelo contrário, não conseguia se lembrar de já ter ganhado qualquer disputa em sua vida. Tinha que se contentar com um emprego simplório de analista de dados. Passava seus dias observando infinitas listagens atrás de informações que não estivessem em conformidade com um gigantesco livro de normas corporativas. Porém, um algoritmo trivial fazia a maior parte do trabalho, cabia a ele pressionar a tecla para ir para a próxima linha e deixar o programa fazer o resto.

Nas últimas semanas havia gasto algum dinheiro em indutores de memória. Comprara a memória de um tenista que vencera o grand slam uns anos antes e tudo que conseguira ver foi o céu azul com algumas bolas amarelas. Depois foi a memória de um estrategista de guerra que havia vencido um programa de computador que emulava com perfeição os movimentos e ações da última pequena grande guerra. Não conseguiu sentir nada além de uns poucos calafrios e o cheiro de grama molhada. A mais terrível foi a memória de um campeão de ginástica olímpica. Por três dias ele ficou preso num mesmo movimento circular sobre o cavalo. Como o cérebro se deixa enganar pelas memórias - e qual seria a graça se ele não se enganasse? -, a quantidade de ácido lático que se acumulou em seus braços quase os levou a gangrena. Se ele ainda consegue apertar teclas em seu trabalho é graças às novas tecnologias de reconstrução celular.

Não podia desistir. Todos se divertiam muito com as memórias induzidas, por que ele não? O que havia de errado com ele para ter tanto azar em conseguir memórias compatíveis? Bem que os neurologistas que havia visitado apontavam para as peculiaridades de seu sistema nervoso. Diziam que a mesma dificuldade que tinha para jogos também era responsável pela profunda rejeição por memórias induzidas. Mas ele não podia simplesmente aceitar isso. Sabia que se perseverasse encontraria pelo menos uma memória que lhe coubesse e viveria feliz para sempre ao lado dela.

Encontrou o vendedor com a qual comprara a memória de um gênio enxadrista. Reclamou, brigou, pediu o dinheiro de volta, se indignou. O vendedor se aborreceu muito com a sua presença. Brigou também, garantiu a qualidade de seus produtos, falou de outros clientes que compraram a memória do enxadrista e se divertiram muito, exigiu respeito pelo seu trabalho. Os dois não conseguiam chegar num acordo. Juntou gente para ver o bate boca. Uns e outros começaram a gravar suas memórias no caso de sair uma boa briga dali.

Outro vendedor, um baixo de cabeça branca, pegou no braço do comprador enraivecido e o levou para longe. Pediu para que se acalmasse, falou mal do colega vendedor, disse que era pilantra e que vendia a memória das próprias filhas sendo forçadas ao sexo. Ele se acalmou, respirou fundo e falou um pouco do seu problema. O bom vendedor lhe garantiu ter o produto perfeito, a memória de um verdadeiro campeão de tudo que se pode imaginar nessa vida. Foi caro, mas ele levou. No ônibus, ficou na ânsia de chegar logo em casa e provar sua nova memória. Era um sábado e estava só, poderia curtir a vontade sem se preocupar com trabalho no dia seguinte.

Chegou a sua casa, colocou uma roupa confortável e sentou-se na sala. Pegou a aranha de metal e a deslizou pela cabeça adentro. A sensação era sempre gostosa, uma massagem suave e refrescante. Passou o dedo pelo topo cilíndrico da aranha e ligou o produto. Fechou os olhos e buscou relaxar.

Viu-se num lugar muito luxuoso, as paredes eram vermelhas e aveludadas. Na mesa plástica e moderna a sua frente, copos de bebida e algumas notas de dinheiro. Sabia que era dinheiro australiano mesmo nunca tendo visto dinheiro australiano na vida. Uma coisa interessante das memórias é que você não precisa saber para sentir que sabe. Uma morena linda chegou sorrindo para ele. Estava de jeans, usava um top florido e justo, brincos enormes de prata e um batom estampado que combinava com a blusa. Trocaram um beijo e ela saiu. Ficou espantado com a qualidade da memória, nunca sentira nada tão vivo, úmido e bonito. Era um vencedor com certeza, mas ainda estava procurando saber qual era o jogo.

Tomou um gole de sua bebida. Era amarga e com sabor de coisa cara, delícia de gente fina. Se tivesse controle sobre o que estava vivendo, teria tomado mais um gole e teria ido atrás da morena de lábios coloridos. Viu chegar dois outros caras. Roupas excelentes e sorrisos simpáticos. Abraçaram-se com o vigor de uma boa amizade masculina, conversaram um pouco e riram muito. As vozes estavam distorcidas e o idioma era desconhecido, como o entendimento vinha por símbolos não sentia muito falta.

Viu que falavam de praias, mulheres e armas. O outro falou de algo que poderia ser um barco ou um par de peitos. Talvez um barco com um par de peitos, o que fosse melhor, pois tudo remetia ao prazer. Então surgiu a idéia do jogo e todos trocaram olhares desafiadores. Isso o excitou sobremaneira, era agora que iria ganhar alguma coisa e seria no melhor ambiente possível. Estava pensando no que eles jogariam quando um dos caras, de terno vermelho e gravata de papel, puxou uma arma e a pôs sobre a mesa. Todos explodiram em gargalhadas, talvez fossem atirar nos vitrais que decoravam a sala onde estavam. Ganharia aquele que acertasse entre os olhos das sereias bregas.

O outro cara, um loiro de olhos cinza e dentes de cerâmica polida, pegou a arma e apontou para a própria cabeça. Apertou o gatilho e ouviu-se um clique. Todos gargalharam novamente e ele entendeu o que estava para acontecer. Ficou em pânico, precisava sair dali, desligar o indutor de qualquer jeito. Seu corpo se sentia bêbado e não respondia como devia. Acariciou a face, mas não alcançou o botão de desligar. O cara que sacou a pistola a pegou e colocou na boca, apontando direto para o fundo da cabeça. Tentou lembrar a seqüência de palavras-chave padrão que desligava aparelhos indutores de memória. Lembrou, pensou e o aparelho não desligou, vai ver era de um fabricante que tinha uma senha padrão diferente. O cara com a arma na boca apertou o gatilho e nada aconteceu. Todos gargalharam e deram um gole em suas bebidas.

Ele então lembrou que era um vencedor. Nesse momento, relaxou. Não precisava se preocupar com nada. Era um jogo perigoso, de fato, mas havia comprado a memória de quem havia ganhado. Agora era só esperar para ver qual dos dois iria cair, ou se os dois cairiam. Riu sozinho dos dentes de porcelana quebrados e da gravata de papel suja de sangue. Resolveu parar de se adiantar e se concentrou no espetáculo das memórias. Viu pegar a arma e limpá-la com um guardanapo. Jogou uma piadinha para os amigos e riu. Sentiu o cano quente na testa. Afastou um pouco a arma para que não lhe queimasse a pele. Puxou o gatilho.

Infelizmente para ele, o vendedor de indutores de memória tinha uma visão muito própria sobre o que era ganhar no jogo da vida. Talvez fosse indiano e fizesse parte de alguma seita maluca para qual a morte é só uma passagem. Talvez, indiano ou não, realmente acreditasse que a morte era o momento máximo da vida e que do outro lado havia algo de muito bom. Vai ver era do tipo de gente que acha que só existe a morte e nada mais nesses tempos difíceis. Ou então estivesse apenas de saco cheio daquele filho da puta gritando com todo mundo e quisesse dar um fim naquilo de uma vez por todas. Vá saber?

Sono

Tinha medo de atravessar aquela rua. Sonhara na noite anterior com um carro cinza que a surpreendia e a levava para um lugar muito mais distante do que os três ou quatro metros pelos quais fora arrastada. Sendo assim, preferiu a passarela.

Lá de cima, enquanto tentava controlar o pânico de altura com um exercício simples de respiração, ouviu os gritos. Se agarrou na bolsa de couro de um senhor que andava a sua frente para não perder o frágil equilíbrio. O homem virou-se preparado para dar um murro em quem ele pensava ser um assaltante. Vendo a moça pálida e trôpega, a amparou.

Olharam para baixo e viram a mulher atropelada. A vítima fora arrastada por uns três ou quatro metros, mas o carro azul a havia levado para algum lugar muito mais distante. Não teve dúvida, estava vendo a si mesma morta. Espectadora do próprio sonho que se realiza. Olhou para o homem que a segurava e viu o próprio pai.

Acordou de repente, suando e com gosto ruim na boca. Olhou para o relógio ao lado que marcava umas quatro e pouca da manhã. Ao lado, a foto do pai morto num acidente de trânsito. Fora arrastado por uns três ou quatro metros, mas o carro marrom o levou para algum lugar ainda mais distante.

Primeiro se perguntou de quantos sonhos ainda acordaria até chegar na realidade. Depois se perguntou como a realidade seria. Nunca descobriu nenhuma das duas coisas.

30 de out de 2008

O valor dos Early Leavers

Não tem muito tempo, joguei no Twitter a idéia de que os Early Leavers de um serviço são mais valiosos que os seus Early Adopters. Desenvolver uma idéia no twitter poder ser um esforço ingrato. 140 toques não costumam ser o suficiente para colocar todos os parênteses e digressões necessárias para um bom entendimento.

Trago a idéia para cá para poder complementá-la.

Vamos pensar em duas formas de pensar negócios online. Numa você quer sucesso imediato. Você quer hype e buzz de forma a empilhar o maior número de usuários o possível. Seu objetivo é demonstrar em números que sua idéia tem potencial e com isso chamar a atenção de um investidor ou ser comprado por uma das grandes empresas do mercado. Essas ferramentas costumam ser serviços gratuitos. Do outro lado disso, temos projetos que querem comercializar um produto ou solução, seja uma assinatura ou um produto de consumo. Para esses casos é preferível ter uma base estável e consumidores assíduos e não apenas uma bola de neve de adeptos.

O early addopter muitas vezes é só um geek sendo movido pelas tendências e querendo firmar sua presença no novo "momento digital". Por questões evidentes, o early addopter pode ver muito potencial na sua ferramenta mas não a conhece. Já o early leaver é alguém que conhece sua ferramenta, provou e não gostou. Cabe então ao empreendedor sagaz buscá-lo e atendê-lo.

Mais do que um usuário que seja só elogios, as primeiras pessoas que deixam o seu serviço o conhecem por dentro e sabem suas falhas. Eles podem apontar demandas e ajudar a organizar o backlog de desenvolvimento do seu produto, te ajudando a elencar features que tenham maior poder de retensão de usuários.

É preciso lembrar também que são estes usuários que iniciam o buzz migratótio da próxima "febre" para onde os maniacos por uma "early addoption" irão da próxima vez. Dessa forma, o early leaver é mais valioso do que o early addopter e deve ser alvo de ações de retenção e de obtenção de conhecimento. Descobrir o que os fez sair e atender essa demanda, até mesmo premiando boas dicas e retornos, é uma estratégia para manter sua ferramenta sempre renovada e fidelizar sua base de usuários.

28 de out de 2008

Um pequeno momento na Hollywood Imaginária

O Danny Trejo queria saber as horas:



Aí ele viu o Patch Adams e perguntou:

- Ei, Patch Adams, que horas tem?

- Pele e pelo, respondeu Patch Adams.



- Como é? - Perguntou Danny - Que gracinha é essa agora?

- Eu vejo as pessoas olharem para o pulso quando querem saber as horas. Então elas falam as duas coisas que estão vendo. Duas e cinco, Quatro e trinta... Como não tenho relógio, no meu pulso só vejo pele e pelo.

Danny Trejo, que não gosta de brincadeiras, pegou um facão e cortou a mão do Patch Adams.

- E agora, espertinho, que horas tem?

- Carne e osso.

19 de out de 2008

Wordle

Você aponta para um site ou escreve um texto e ele faz uma linda composição tipográfica com as palavras em uso as organizando por tamanho usando sua incidência com critério.

Do que falo tanto sobre motoristas? Somente o idispensável?



E para provar que o mecanismo funciona, segue o Manifesto Comunista como uma nuvem de Tags, mostrando que o texto fala mais da burguesia do que do próprio proletariado.

10 de out de 2008

É um absurdo

É uma palhaçada.
Falta do que fazer.

É assim que vejo muitos se referindo à greve dos bancos. Como toda hora os bancos fazem greve, toda hora vejo e ouço isso.

Impressionante. Muitos realmente não se importam com as condições em que os bancários trabalham desde que continuem atendendo. Banco, água, luz, telefone, polícia são infraestrutura. Infraestrutura é aquilo que você só percebe que existe quando falta. Você não pensa sobre o processo exigido para que a água chegue na sua casa a menos que você dê a descarga e o amigo do último post não dê tchau.

Parece que os trabalhadores da infraestrutura têm obrigação de ser tão invisíveis quanto ela. Sempre que esses reclamam, acabam levando a culpa. É uma relação mais cruel do que a do senhor de escravos. Por pior que um senhor fosse, o escravo ainda era um sinal de status, precisava estar alimentado e disposto para trabalhar e, nessa formação unicamente brasileira, senhor e escravo ainda se relacionavam no melhor estilo casa grande - senzala. Só por que a maioria das pessoas trabalha em condições desumanas e não tem culhões ou organização para reclamar, aqueles que o fazem "não têm mais o que fazer". É, é um absurdo mesmo.

O "inimigo" se mantém invisível e risonho. Penso a mesma coisa quando vejo um ambulante de ônibus reclamando de um motorista e vice versa. Funciona assim: o ambulante, armado com o seu fantástico gancho de balas e paçocas, pede para o motorista para entrar pela frente. Se o motorista permitir, a câmera que tem dentro do ônibus vai registrar e ele pode perder o emprego por estar permitindo que alguém entre de graça na condução. Se o motorista de ônibus não permitir, o vendedor ambulante deixa de vender. Um odeia o outro. O vendedor vê o motorista como alguém que não o está permitindo trabalhar e o motorista vê o vendedor como alguém que está atrapalhando e ameaçando o seu trabalho.

No fim das contas, quem realmente gerou a falta de trabalho do ambulante e a vida coercitiva do motorista está, metaforicamente falando, vivendo algum conforto que nenhum dos dois personagens têm. Houve uma época em que se sonhava com a união do motorista e do ambulante. Achava-se de verdade que eles entenderiam que existe um inimigo em comum e manifesto num sistema desigual de classes sociais e que eles acabariam com tudo isso, formando uma nova sociedade.

Acabada a infância, todo mundo fica feliz quando todos os envolvidos esquecem a briga, abaixam as cabeças e continuam seus caminhos. O motorista dirigindo, o vendedor vendendo, o caixa do banco atendendo e assim por diante. Assim, ninguém sai ferido.

"ninguém mais aguenta tanta violência, não é mesmo, minha gente?"

Indicador de probreza: avistamento de cocô

Me ocorre que um excelente indicador para pensar a sua situação de pobreza é com que freqüência você vê cocô.


  • Se você vê cocô transbordando de bueiros e valas ou então barros largados por mendigos na calçada, você deve morar num lugar péssimo (como um subúrbio sujo ou o centro do Rio) logo você é pobre.

  • Se você sempre vê um cocô boiando na privada de sua casa então você deve morar com um bando de gente porca e pobre. Ou então você é pobre e mora num lugar péssimo que tem um encanamento mal ajambrado e, devido ao refluxo, sempre tem um hóspede indesejado na sua privada.

  • Se nos banheiros dos lugares que você freqüenta (seja o trabalho, o bar, o boteco, a boate ou a casa de um amigo) sempre tem um toletão sincero louco para ver e ser visto, então você só vai em lugares da pior qualidade. Logo você é pobre.


Recomendo ao amigo leitor uma reflexão sobre avistamento de merda. Há o risco da percepção saturar-se e nem notá-la mais, criando um certo blasé em relação ao cocô. Porém, o distanciamento reflexivo é importante para nunca perder a merda de vista e nunca se tornar insensível à ela como nos tornamos insensíveis à violência tamanha é sua exposição e banalização. Precisamos estar preparados para a merda.

Atenção à merda, nunca a perca de vista. Ela diz muito sobre quem você é e como você se posiciona frente ao mundo.

8 de out de 2008

A grande discussão da nova comunicação

Funciona assim, olha:

1) Os meios de comunicação em massa não apuram corretamente suas informações e falam um monte de bobagem. Além disso, são tendenciosos, oportunistas e parciais.

2) Cidadão indignado com a desinformação promovida pelos meios de comunicação de massa aproveita a revolução das tecnologias telemáticas, digitais e microeletrônicas para produzir sua própria informação.

3) Ao produzir sua própria informação, o cidadão indignado não apura corretamente suas informações, fala um monte de bobagem e, além disso, é tendencioso, oportunista e parcial.

4) Os meios de comunicação em massa ficam indignados com a desinformação produzida pelos cidadãos indignados, então eles passam a convidá-los para produzir conteúdo de graça em seus canais de informação. Ao mesmo tempo, os meios de comunicação em massa acusam os cidadãos indignados que se tornaram produtores de informações de falarem um monte de bobagem, serem tendenciosos, oportunistas e parciais.

5) Os cidadãos indignados que não foram convidados para produzir informação de graça num grande meio de comunicação em massa e estão sendo acusados de falar bobagem, serem tendenciosos, oportunistas e parciais voltam ao tópico 2.

15 de set de 2008

Um pequeno conto sobre uma pequena doença

Haviam se conhecido há poucas semanas. Ele, muito ansioso, quase não suportou o período de cortejos. Um dia qualquer, após um beijo longo, ela, toda se querendo, perguntou:

- Qual a parte do meu corpo que você mais gosta?

Ele respirou fundo e disse de uma vez só tudo que lhe apertava o peito há meses, quando a vira pela primeira vez e decidiu segui-la desde então.

- Seu braço... Vou esfregar tudo que tenho nele e então vou esfregá-lo em tudo que você tem.

E assim findou-se um relacionamento que pouco chegou a ser.

10 de set de 2008

Debate de Ciência e Tecnologia na Câmara Municipal do Rio de Janeiro

Câmara Municipal do Rio de Janeiro

O Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Vereador Aloisio Freitas, por iniciativa da Exma. Sra. Vereadora Aspásia Camargo, tem a honra de convidar para o Debate Público da Comissão Permanente de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática, no qual serão discutidas propostas para uma Política dê Ciência e Tecnologia para o Município do Rio de Janeiro, a realizar-se no dia 18 de setembro de 2008 às 10h, no Salão Nobre da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Salão Nobre Antônio Carros de Carvalho
Palácio Pedro Ermesto Praça Floriano, s/n°
Cinelândia

11 de jul de 2008

Qual o valor das ações online?

Chegam as notícias de que o projeto da lei dos cibercrimes, recém-aprovado no senado, foi sim revisado pelo Senador Aloísio Mercadante, assim como ele mesmo afirmou. A assessoria do senador enviou o projeto como foi aprovado para o grupo que mobilizou a petição de repúdio ao projeto de lei. Há a concordância de vários de que o projeto aprovado é realmente menos obscuro e mais preciso. Contamos que essa nova avaliação venha dos nossos caros deputados federais, próximos a vistoriar o projeto com poder de veto para as emendas.

Nesse mesmo momento, surge a pergunta de qual foi o papel do ciberativismo nessas mudanças. Confesso que também é uma pergunta minha. As vezes tenho a impressão de que ainda vivemos o idealismo de Pierre Levy e creditamos mais força a Internet do que ela realmente consegue viabilizar. Vejo blogs arrogando para si um poder de formar opinião ordens de grandeza maior do que efetivamente têm. Embora eu perceba uma ignorância cega da parte de muitos entusiastas, seria igualmente ignorante negar toda e qualquer força que esse tipo de movimento e mídia pessoal possa ter. Não conseguir medir precisamente qual o peso, tamanho e dimensão têm, não quer dizer que não exista, principalmente quando se percebe a reação que vem desses movimentos online decantar para o mundo real.

É impossível isolar os fatos. Não podemos descobrir qual post em qual blog foi mais efetivo. Não dá para discriminar o valor da petição online e dos vários e.mails pessoais que foram enviados por brasileiros de vários estados para seus senadores exigindo uma providência. O que houve foi um contexto. Por alguns instantes uma parte minúscula da força imanente da Internet apontou para uma só direção. Ninguém fez nada certo ou errado, apenas fez e o papel de cada ação isolada é indeterminável. Porém, percebemos o resultado do conjunto. Esse conjunto é imaginado, pois houveram diversas outras manifestações e mobilizações que foram invisíveis aos meus olhos.

A essa altura do campeonato, qualquer crítica acusando o ciberativismo de inócuo ou até mesmo de ignorante é apenas falta de visão do todo. É como acusar Oswaldo Cruz por ter feito tanto barulho com essa história de vacina por nada, afinal, a varíola já se encontra erradicada. Paradoxo temporal.

Eu acho que a petição online deve ser encerrada e reiniciada. Uma primeira fase já foi vencida e novas mobilizações devem ser feitas em torno do que realmente é o interesse popular. Que os blogs continuem cumprindo sua função em refletir e oferecer informação para ser comparada e pesquisada, pois esse é o papel correto. Mobilização é conseqüência da informação.

10 de jul de 2008

Dias negros da política brasileira

Em menos de 48 horas tivemos o habeas corpus de Daniel Dantas, reafirmando toda a lógica de impunidade, circo e falta de vergonha na cara dos altos escalões do Supremo Tribunal Federal. Por outro lado, também deixa claro como o lobby das telecons é terrorismo. Melhor cobertura acompanhada de questionamentos sobre o caso é do Paulo Henrique Amorin. PHA para os íntimos, o que não é meu caso.

Usando a "Tática da Madruga"*, o senado atropelou como pauta extra o projeto de lei do Azeredo, a tal lei dos cibercrimes. Agora contamos com o bom senso da câmara dos deputados para pelo menos vetar os parágrafos mais obscuros. Para ter uma visão melhor do que aconteceu nessa madrugada, leia este post do Pedro Doria. Para ver como o senado está usando a bandeira da pedofilia como cortina de fumaça para impor uma ferramenta de controle sem o menor propósito leia a Raquel Recuero.

Entre esses atos de uma mesma opereta bem cafona (by vitorfasano), a câmara dos deputados (a mesma da qual esperamos um pouco de clareza para pensar a Internet) rejeitou o projeto de lei que descriminalizaria do aborto. Houve todo o teatro costumeiro envolvendo fotos tristes de fetos abortados para "comover" os votantes. Mais uma vitória da ignorância e da retórica vazia. Contrário do que as bancadas obscuras vão tentam fazer crer, não existe cidadão que seja favorável ao aborto. Isso é um espantalho de discurso e não faz o menor sentido. O ponto é: o aborto deve ser crime? A mulher que busca o aborto é uma criminosa?

A conseqüência social dessa lei amoral já é clara. Mulheres de baixa renda continuarão recorrendo às clínicas clandestinas para a prática e correndo todo o tipo de risco presente nesses açougues. Enquanto isso, as meninas ricas continuarão a abortar na Europa durante as férias escolares. Afinal, nada como um passeio em Estocolmo para "curar o trauma".

Foge ao alcance dos deputados que a descriminalização traria segurança e apoio a mulher. No ambiente hospitalar adequado, com o acompanhamento médico e psicológico adequado, a mulher em crise com sua gestação teria, inclusive, um espaço para refletir suas decisões. A descriminalização abriria caminho para várias ações religiosas, filosóficas, psicológicas ou de simples conscientização que mudariam o quadro dessa séria questão de saúde pública.

Criminalizar a mulher em crise com sua gestação é negar a sua cidadania e seu espaço para saúde e esclarecimento.

* Há muitos anos, trabalhei com um rapaz que dizia usar a Tática da Madruga. As vezes ele chegava em casa cansado, mas com vontade de trepar. Ele tomava um banho, ia dormir e, durante a madrugada, ele acordava a esposa e a comia de surpresa, ainda sonolenta. Percebo que o Senado é praticante da Tática da Madruga, aproveitando para nos carcar durante o sono.

7 de jul de 2008

Petição Online contra o PL dos Cibercrimes

Caros,

Está correndo nas últimas instâncias do congresso o projeto de lei do Senador Eduado Azeredo. Esse substitutivo visa criar uma lei criminal para gerir a Internet brasileira. O texto é obscuro, mal formulado e obviamente idealizado sem a reflexão que o tema pede.

Concordando ou não com a necessidade de uma lei criminal para a Internet e até mesmo podendo concordar com os pontos levantados pelo Senador, temos que levar em conta que não faz sentido a criação de uma lei criminal antes da formulação de lei civil que dê conta de ambientes digitais. A lei Civil deve ser idealizada em fóruns apropriados, com a presença de profissionais, técnicos e intelectuais da área. A criação de uma lei criminal por políticos sem a formação e experiência necessária para pensar a questão da Internet é, além de arriscada, um retrocesso democrático e tecnológico.

Uma petição online será enviada em PDF para os demais senadores e interessados. A velocidade anormal com a qual esse projeto atingiu instâncias finais do congresso pegou de surpresa a comunidade digital brasileira, então temos que responder com a mesma velocidade. Segue o link da petição para a sua participação:

Pelo veto ao projeto de cibercrimes - Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira

Queremos sim uma internet segura e legal, mas que esta nasça da reflexão de muitos e não da imposição ignorante de poucos.

8 de jun de 2008

Sobre meninos e lobos

No sábado ontem, fui ao Dia Internacional do D&D, na Point HQ. A Tati foi ao Fashion Rio para fazer a cobertura do evento.

Fim do dia, os dois já deitados e se preparando para dormir:

Eu - Cara, como tinha gente deprimente lá.
Ela - Eu posso dizer exatamente o mesmo.

E é assim que uma borboleta bate as asas na índia e um ciclone assola o pacífico norte. Nas pequenas grandes coincidências da vida.

1 de mai de 2008

Cinema, quadrinhos e nerds

A novidade da vez é que ando escrevendo num site de quadrinhos e cultura nerd chamado nanquim. Por lá, ataco de resenhista, noticieiro e comentador do noticioso.

Antes mesmo do site ir oficialmente ao ar já cuidávamos do conteúdo, com isso garantimos bastante coisa para ler logo na primeira visita. Divirta-se!

Dos textos que andei cometendo por lá, destaco os seguintes:



Assinem o RSS e acompanhem o trabalho por lá. Eu e o restante da tripulação prometemos nos esmerar para falar cada vez mais abobrinhas sobre quadrinhos, cinema, mangá e nerdices em geral.

21 de abr de 2008

Folar e Anfolar, neologismo e atitude

Surgem as ferramentas de informática e, paralelamente, surgem as subculturas em torno. Códigos, etiquetas e tabus brotam no ritmo em que o grupo se expande e demanda um controle inconsciente. É nesse cenário que a língua muda e, viva que é, se adéqua às novas demandas.

No twitter, somos seguidores e seguidos simultaneamente de forma assíncrona. Como a interface é toda em inglês, seguir no twitter é follow. Assim como start aparece sendo conjugado como verbo (eu startei, ele startou), já se fala no twitter o folar e, ainda mais, o anfolar.

O verbo principal aqui ainda é o seguir. Pessoas seguem umas as outras no twitter, mas como se referir ao ato de adicionar alguém como seguido? Seguir, nesse contexto é o estar seguindo, e não o momento em que o botão é pressionado. Para esse ato e, por adição, como sinônimo de seguir nesse contexto, sugiro o verbo folar.

Folar é seguir ou se tornar seguidor de alguém no Twitter, como em:
Eu folo o @garradini.
Eu folei o @gerson.
Nós folamos o @gpavoni.
Eles folam o @interney.

Porém, não vejo o folar caindo no gosto popular e substituindo o seguir em qualquer contexto que seja. Entretanto, fez-se muito necessário o surgimento de um verbo que significasse deixar de seguir alguém, o ato. O clique na opção remove ganhou mais importância do que uma nova adição. O momento atual do twitter é de formação da sua realidade particular, da sua esfera de interesses. Nesse momento, os early adopters da ferramenta que se adicionaram mutualmente para testar os recursos que surgiam repensam suas relações e que uso querem dar para o twitter. Anfolar surgiu com peso por se fazer cada vez mais necessário.

Anfolar, ou desseguir, é o ato de tornar alguém invisível no twitter. Alguém que você experimentou e não percebeu razão para manter entre os seus fornecedores de informação, seja lá qual for o viés dado à ferramenta.

Anfolar é saudável por manter a assincronia do Twitter. Nem sempre se é seguido por quem seguimos e vice-versa. Esse mapeamento torna o Twitter diverso e livre, uma rede em que todos os nós são relacionados não é necessariamente mais eficiente, mas com certeza mais pesada e difícil de administrar.

Eu anfolo. Você anfola?

20 de abr de 2008

300 do Twitter

Prometi no twitter que faria uma entrevista com o meu seguidor de número 300. Como sou um cara de sorte, este não foi um robô, ou apenas um curioso que cria uma conta, adiciona meia dúzia e não vê sentido na ferramenta. O meu trecentésimo seguidor foi o Rigonatti.

Talvez o fruto maior do caráter disruptivo do Twitter seja o de fazer as pessoas se conhecerem através de idéias rápidas e assíncronas. Com isso sua network cresce de forma saudável e cheia de valor. Rigonatti é consultor em tecnologias móveis, mantém o blog mobile life e num papo sobre twitter, o universo e tudo mais, mostrou uma visão certeira da ferramenta. Infelizmente, o log da conversa não foi salvo pela péssima extensão em flash para o gtalk que usava no meu Fire Fox. Esse tópico foi escrito em cima de lembranças vagas, mas com muita boa vontade.

Para Rigonatti, a grande vantagem do twitter é manter poder controlar o conteúdo que se vê. Diferente de ferramentas como o Orkut, cujo o sucesso em muito está ligado ao seu potencial para fofoca, no twitter não há obrigação de acompanhar os comentários de alguém que não consideramos interessante. Junte isso a possibilidade de trancar seus comentários para os desconhecidos e pronto, uma ferramenta onde você só vê e é visto por quem você quiser.

"Talvez por isso o Twitter nunca vá fazer tanto sucesso quanto o Orkut", especula Rigonatti, que não tem profile no rede social do google há anos. Ainda segundo o consultor "a ferramenta (orkut) além de não ser boa é mal usada pelas pessoas". Quando o assunto volta para o Twitter, Rigonatti lembra que a ferramenta é o que você quiser fazer dela, toda informação do twitter é opcional e o usuário não é obrigado a ver nenhum conteúdo que não queira. Sendo assim, é possível tornar uma parte do twitter invisível, assim como desejamos muitas vezes que invisíveis fossem certos membros de comunidades online de que participamos.

No fim do papo, Rigonatti concordou comigo que o grande diferencial do twitter em relação a outras ferramentas é que "no twitter eu escolho os meus idiotas", o que, em termos de internet, é um diferencial e tanto.

19 de abr de 2008

Como dar presentes a um nerd

Aproveitando a proximidade do meu aniversário (dia 26 próximo, não se esqueça), publico uma idéia antiga que mofava no meu backlog de postagens. Acredito ser um conteúdo útil, posso estar salvando a vida de namoradas, ficantes ou alguma maria-nerdeira de plantão.

Em linhas gerais, o presente perfeito para um nerd é a uma referência. O presente pode ser a referência em si, algo que facilite o acesso a referência ou um correlato qualquer. A questão central é o que presente para o nerd pode ter pouco valor em si mesmo, pois seu valor real estará na sua relação com outra coisa. Esta "outra coisa" que está ligada ao presente em questão pode ser de qualquer natureza. Como ficou bem claro no tópico sobre o Kaká, o ser nerd é uma forma obsessiva de se relacionar com o conhecimento, seja ele qual for.

Um nerd não percebe o valor material de um anel de ouro da mesma forma como as pessoas percebem. Ele obviamente reconhece o valor intrínseco de uma jóia, sabe que ouro é ouro e este vale dinheiro. Porém, entre um anel de ouro qualquer e uma reprodução do anel um do Senhor dos Anéis ou do anel esmeralda dos Lanternas Verde, ele vai se interessar muito mais pela jóia faz parte do seu imaginário.

Qualquer um pode dar um DVD de Blade Runner, mas só um verdadeiro interessado dá o DVD de Blade Runner para o nerd que leu o conto original de Phillip K. Dick ou jogava RPG com um personagem chamado Decker. Nerds apreciam o esforço das pessoas em entrar no universo de referências deles na hora de dar o presente. O verdadeiro presente é participar do imaginário do nerd, ou pelo menos demonstrar algum interesse pelo mesmo.

Hoje em dia, com a popularização da cultura nerd, a figura do nerd solitário, que não tem com quem trocar figurinhas não é mais tão forte. Porém, o nerd ainda vai perceber mais facilmente o seu interesse por ele caso você demonstre algum interesse pelo assunto favorito dele.

Nerds, mesmo que discretamente, têm um caráter evangelizador em relação a seu assunto de interesse. Por isso, se alguém se preocupa em entender do que se trata a obsessão do nerd em questão, ele vai se sentir como um iluminado que leva um pouco de saber para pessoa. O nerd vai sentir que houve uma troca, e acredita que quem o presenteou vai levar uma parte dele consigo. O nerd acredita se misturar com suas próprias referências. Se você passou a entender um pouco mais sobre futebol para comprar aquele guia de resultados dos campeonatos italianos para seu amigo nerd da bola, o seu amigo vai acreditar que agora você o entende melhor.

Para o nerd não basta gostar, tem que participar!

14 de abr de 2008

Ação Social RJ - Livros

Recebi este e.mail do Eduado do Instituto Imaculada:

Um S. O. S. aos amigos benfeitores, e a todos que direta ou indiretamente estão ligados a nós.
Houve uma mudança de Editora e consequentemente dos livros no Colégio onde a maioria dos internos do Instituto estudam. Com isso precisamos de ajuda para aquisição dos livros. Somente os dois da Alfabetização estão com o material completo.
Estou enviando em anexo a lista detalhada. Se for possivel para alguém, mesmo que seja um único livro, entre em contato antes para me avisar. Estou enviando esta mensagem pra muita gente.
Em anexo relação de livros com informação sobre a Editora dos livros, " FTD ".
Abraço a todos.

José Eduardo da M. Ribeiro


Se você quer colaborar ou tem um bom contato na Editora FTD, entre em contato comigo ou diretamente com o Eduardo em institutoimaculada[arroba]uol.com.br.

31 de mar de 2008

Ação Social RJ com a Sanifill


Primeiro peço desculpas pela demora dessa satisfação.

Satisfação em diversos sentidos, eu diria. Uma satisfação à Sanifill, que gentilmente cedeu kits completos de higiene bucal (escova adulto e infantil, fio dental e Anti-sépticos) para as crianças e jovens adultos do Instituto Imaculada em São Gonçalo.

Satisfação minha e de todos os participantes em fazer esse movimento acontecer com tanto sucesso.

Poucas coisas são mais gostosas do que chegar no trabalho e dar de cara com um e.mail como esse:

A garotada esta usando diariamente os produtos da Sanifill.
Já se acostumaram. Grande abraço a todos do grupo.
José Eduardo da M. Ribeiro.



Quero partilhar essa satisfação com todos que participaram e apoiaram a idéia. Não vou nem tentar lembrar todos os nomes e citar todos os links. Foi por preciosismos como esse que este comentário atrasou longos e desnecessários meses. Acho que o grande lance é mostrar foto de gente junta e feliz, que é a razão de ser (ou pelo menos deveria) de ações como essa.


Outras fotos podem ser vistas no Flickr da Buzz Makers, empresa que viabilizou todo o contato com a Sanifill. Mais do que fazer a ponte com o apoiador, a Buzz Makers também esteve presente para conversar e estar junto com as crianças, provando que a colaboração é real e não um agenciamento frio e distante.

A Ação Social RJ já é um movimento continuativo. Já estamos pensando nas próximas colaborações com o Instituto Imaculada e outras instituições. Para o Imaculada, penso em levar as apostilas do CGI que recebi no Campus Party para equalizar conhecimentos e praticas saudáveis na Internet com a rapazeada que já tem presença digital por lá. Em passos futuros: toques, dicas e truques sobre blogagem.

Num outro movimento, penso em fazer uma Ação Social RJ no Instituto Benjamin Constant para leitura de livros para cegos. Compartilhar leituras com quem tem percepções completamente diferentes das suas é uma experiência enriquecedora.

Update da Heloisa:

O Benjamin Constant é na Glória, não Laranjeiras! Em Laranjeiras são
os surdos! O setor de livro falado deles está com equipe formada e não aceita mais voluntários por enquanto. Liguei para lá hoje e falei com a Ana Luiza, ela pegou meu telefone mas explicou que eles dão preferência a pessoas com experiência em locução.

O CDI (Comitê de Democratização da Informática) precisa de voluntários
para a montagem e manutenção de computadores. Eles vão me ligar hoje
para dar mais detalhes, mas tô achando que não é nada tão divertido
quanto o Imaculada!


Eu nem lembro de ter falado que o Benjamin Constant era em Laranjeiras, mas eu estava REALMENTE confundindo. Será que a Heloisa lê mentes ou será que eu twittei isso e não lembro?

Em tempo, eu já havia pensado em ativar o CDI para a montagem do laboratório de informática do Imaculada. Se você, amigo leitor, tiver alguma dica, truque ou sugestão, mande ver nos comentários.

9 de mar de 2008

Caffos Party e CampusParty.zip

Primeiro eu tirei férias depois de 12 anos de trabalho. Gostei, recomendo a todos esse lance de férias. Super diferente e bacana.

Depois eu decidi pegar uma semana inteira das minhas férias e passá-la em São Paulo dentro de um prédio com uma pequena multidão de nerds indo ao Campus Party. Se o Apocalypse pode demorar quase um mês para postar sua impressão do evento, eu também posso. Enfiar uma colher com rum, café e açúcar na boca dos outros não dá a ele nenhum privilégio nesse sentido.

Objetivando não ser repetitivo e aproveitar conteúdo, segue meu comentário no tópico sobre o Campus Party na comunidade de Cibercultura no Orkut. Em itálico, o texto copiado, sem formatação especial os comentários e adendos para esse post.

Oi, eu fui no CP.

Fiquei de segunda a domingo. Segunda nada aconteceu pois foi o credenciamento. Este foi rápido e eficiente pelo menos para mim. Os casos de confusão e problemas que eu vi no credenciamento não chegaram a mostrar uma falha sistemática. Acampei lá de terça para quarta, nos outros dias não.


A barraca era apertada e quente. Junte isso as pessoas sem noção gritando e conversando no acampamento a qualquer hora da noite/madruga/dia e pronto. Não sou fresco, entendam que eu estava de férias e o mínimo que eu podia pedir era conforto.

Eu não sei qual é a relevância dos CP. Concordo que levou a "cultura digital" para a mídia, mas não sei se vai além disso ou se isso em si é algo tão bom que justifique um investimento tão alto. Será que com muito menos e o evento/estratégia correto não se tem muito mais exposição? Já que esse parece ter sido a única coisa bacana?

Aqui eu estou fazendo referência ao rumo que a conversa estava tendo no tópico, que frisou muito sobre a questão da exposição. Sobre isso em especial devo dizer que apareci na Globo News na segunda feita a noite falando que era Designer de Robôs e iríamos construir robôs gigantes no evento. Entupi a reporter iluminada (aqui no sentido de luzes no cabelo) com desinformação de qualidade. Oficialmente para a TV brasileira, os nerds sempre andam com io-ios. Vocês podem me ver falando bobagem aqui, mas é uma outra bobagem e não o lance do io-io robô gigante.

Digo isso por que as pessoas presentes no evento não representam a cultura digital nesse país. Programadores, designers, intelectuais e outras pessoas que poderiam contribuir para o debate e torná-lo menos simplório costumam ter expedientes e trabalhar durante a semana.

Tirando nonoempresários e suas start ups, pessoas que tiraram férias para ir no evento (meu caso) e pessoas cujo as empresas liberaram uma semana sabática, o evento foi preenchido por estudantes e adolescentes.

Nada contra estudantes e adolescente, pelo contrário. Dava gosto ver a galera ali. Principalmente o pessoal de robótica e astronomia, disparadas as melhores áreas do campus. A questão é que todas as palestras e debates tinham um ar introdutório. Toda uma maquilagem de novidade aplicada sobre trivialidades, fumaça e espelhos. Se somar todos os grandes debates e palestras do evento, mal dava um fim de semana. O evento durou muito mais tempo do que conseguiu sustentar qualidade.


Espero não ser mal interpretado nesses parágrafos. A faixa etária do evento circulou em torno de 23 anos e quando eu tinha essa idade tudo era novidade para mim também. Observando com calma os relatos sobre o evento original na Espanha e sua versão brasileira (herbert-richards) ficou notório que o evento não é para mim. Além disso, muita gente realmente boa de dialogar e trocar informação não pôde ir no evento por questões de trabalho. Sábado e domingo? Nada aconteceu. Domingo foi o encerramento e o sábado foi o dia de maior exaustão acumulada entre os participantes. Como não havia preço reduzido para os dois últimos dias (o evento custou R$100 para todo mundo independente dos dias de participação), era um tanto estúpido imaginar que ir no fim de semana valeria a pena.

Do que valeu a brincadeira então? Em uma palavra: network. Num contexto em que "quem você conhece" tem mais valor do que "o que você sabe", um lugar que agregue interessados em determinada área (sejam estudantes, adolescente ou o steve jobs) já tem valor em si. Porém, se é para isso, vamos rodar o país nos BarCamps, que são mais baratos, mais livres e divertidos.

Acredito eu ser essa a grande concordância do evento. Conhecer, ver e ser visto foi o grande assunto o tempo todo. "Conheci fulano", "conversei com cicrano" e frases afins eram twittadas e blogadas a cada instante. Sobra então a pergunta: precisa de um escarcéu desse tamanho para incentivar a network? Campus Party parece uma estratégia publicitária no que tange a usar um canhão de plasma para matar um mosquito. Quero um CampusParty.zip. Um fim de semana bem organizado, onde as pessoas naturalmente vão trocar informação estimula o network tanto quanto um Ibirapuera tomado de estandes de grandes marcas do setor e ainda sai mais barato. Ei, o que eu falei é igual a um BarCamp! Pois é, essa é a idéia mesmo.

Também não quero dizer que não houve conteúdo no Campus Party, claro que houve. Muitas palestras interessantes tiveram a oportunidade de acontecer e sofrer com a interferência da palestra que estava sendo dada ao lado. O péssimo planejamento do espaço também é um tipo de concordância entre os "campuseiros". O que houve com a consagrada cultura de salas que os BarCamps já mostraram ser tão eficiente?

A Internet de 5 gigas da telefônica? Bacana, baixei um arquivo de 100 megas em 3 minutos. Fiquei impressionado com os números que mostram que a banda do evento foi usada mais para upload do que para download. Super afinado com o discurso de abertura do Gilberto Gil, onde ele sinalizou que inclusão digital era ensinar uma pessoa a fazer mais upload do que download. Nem preciso dizer que isso é uma mudança epistemológica sem igual. Se o campus party serviu só para evidenciar esse fato, já valeu parte boa do seu orçamento.

A área aberta do evento parecia uma feira de ciências do século XXII, mas numa escola municipal do Piauí. Tudo muito meia boca, jogado e sem o menor carinho. Os melhores estandes obviamente eram das empresas, que te agraciavam com brindes mil em troca de qualquer bobagem. Ser alvo da batalha das marcas parecia ser o único propósito, pois as exposições de tecnologias "de ponta" e "futurísticas" eram mambembes, desorganizadas e sem graça. Alguém pode falar que essa minha opinião amarga sobre a área aberta do evento é devido aos 3 tombos horrorosos que eu tomei dentro da virtusphere, mas não é. Essa opinião nasceu no meu coração depois que o francês escroto que apresentava a DIT (Digital Interactive Table) me expulsou do brinquedo dele para demonstrar para imprensa. Ei, sr. francês, enfia a sua interface de toque na bunda. Já tem coisa bem mais impressionante rolando por aí, quando você aprender a tomar pelo menos dois banhos por dia volta para falar comigo. Os gringos da Virtusphere passavam qualquer um da imprensa para a frente da fila sem nem se importar com quem estava há vários minutos esperando, mas se eu mandar eles enfiarem aquela gaiola mal feita e sem o menor poder de imersão no traseiro e sem a menor jogabilidade vão achar que é implicância minha.

Por fim, o lance das barracas. Ah, o lance das barracas. Todo um bate boca prévio, uma patente falta de educação, profissionalismo, ética e vergonha na cara por conta da organização do evento. A cada dia novas notícias nasciam desencontradas. Ora pode, ora não pode levar as barracas para casa. Ora só os pagantes, ora só os pagantes e os ganhadores de promoção, mas só de certas promoções, não de todas. No fim, quem quis levar levou roubando. Furou a segurança e fez o que bem quis. Aqui é assim, o roubo vira protesto vazio, o que te negam vira um prêmio de malandragem aplicada. Pior do que isso é outra mania bem brasileira de transformar indignação em deboche. Na palestra de abertura, um dos organizadores principais me solta "eu nem sabia que brasileiro gostava tanto de barraca". Não mandei ele enfiar as barracas na bunda por que temi não sobrar barraca alguma para ser roubada. Alguém precisa lembrar a ele que não só o brasileiro, mas qualquer um, gosta que a organização de um evento cumpra o que promete.

Qual foi a maior diversão das minhas férias então? Caffos Party. Caffo e Taiza são excelentes anfitriões. Receberam a mim, a tati, fzero e renata em seu maison no moema e proporcionaram uma semana inteira de gargalhadas e piadas nerds, muito video game, passeios pelo que são paulo tinha de melhor (restaurantes japoneses e lojas de RPG), batalhas meméticas, café e bolo. O Caffos Party é infinitamente melhor que o Campus Party. Tudo que é prometido é cumprido. Bom, nem tudo. A visita a Luderia e o show do UDR ficaram para a próxima. Mas pelo menos lá os chuveiros têm porta.

6 de mar de 2008

Lifecasting e máscaras mortuárias.

O parônimo entre Lifecasting - enquanto cópias esculturais feitas a partir de alguém vivo; Máscara mortuária; Casca sobreposta a um corpo vivo com o fim de reproduzi-lo - e Lifecasting - como transmissão da própria vida por webcans e outros recursos na internet - terá um sentido ainda mais mórbido.

Aquilo que é transmitido é uma sobreposição da pele. Transmite-se a autoimagem construída pela coisificação do cotidiano. Na verdade não é um parônimo. É ainda a mesma palavra, só que em contextos diferentes. Como uma casa de barro e uma casa (home) principiando um site. Não importa onde seja, casa é sempre o lugar de onde se parte.

1 de fev de 2008

Protesto! O Kaka não é um nerd!

Segundo o jornalista Ricardo Kauffman, o jogador de futebol Kaká é o "rei dos nerds".

O apontamento que o jornalista faz em sua coluna, é relativo ao contraste que a figura do Kaká faz com o estereótipo do jogador de futebol brasileiro. De fato, o jogador do Milan está longe de ser preto, de origem pobre, que cresceu na vida com o esporte e, por isso, parece deselegante ou "sem costume" nas rodas sociais que passa a freqüentar. Além disso, Kaká é evangélico, afirma ter casado virgem e não se envolve em escândalos com louras, brigas e alcoolismo.

O problema da matéria não é relativo ao contraste da vida de Kaká com a de outros craques emblemáticos como Garrincha ou Pelé, mas sim achar que a opção de vida do jogador o faz um nerd. Aparentemente o jornalista usou um conceito particular sobre nerd que é completamente fora de sintonia.

Para Kauffman o nerd é uma figura pacata, simplória, quase um picolé de chuchu. Ele usa a referência do filme "a vingança dos nerds", mas ignora que os nerds do filme estão loucos atrás de sexo, diversão e drogas, sem abrir mão de ouvir DEVO e estudar física. A verdade é que Kaká é uma pessoa extremamente sem graça. Se não fosse um grande (e incontestável) gênio do futebol, ele passaria despercebido até na igreja que freqüenta. Até mesmo a beleza do rapaz é antes fruto do contraste com outros jogadores brasileiros do que uma beleza absoluta. Ser branco num mundo eurocêntrico significa muito.

Kaká não deixa de ser um nerd pelo que ele é, mas sim pelo que ele não é. Nerds podem jogar futebol, podem casar virgem (inclusive, desconfio que muitos o fazem), podem ser evangélicos, podem até mesmo ser bonitos, mas não podem, em nenhuma hipótese, se abster de referências pesadas de cultura pop e/ou ciência de ponta. Existem nerds que se drogam, que são agnósticos, ateus, libertinos, ocultistas e de outras muitas expressões. O que vai uni-los como um grupo caso observados de certo ângulo é a troca de referências, a compulsão por detalhes e saberes que os "não nerds" não se interessam ou simplesmente ignoram.

Me mostre a coleção de memorábilias de Star Wars de Kaká e ele será um nerd. Me mostre um código que ele tenha desenvolvido para calcular potência de lasers contra os escudos de força das naves em Star Trek e ele será um nerd. Me mostre os personagens de RPG que ele já fez e ele será um nerd. Me diz que o nick dele é Captain Tsubasa nos fóruns de anime e ele será um nerd (além de otaku). Posso citar inúmeros outros exemplos, mas sem eles, eu não o reconheço com tal.

Sei que não falo só por mim. Caso realmente exista, a comunidade nerd é pouco estruturada e muito diversa. Porém, existem alguns consensos a se observar. Para pertencer a uma subcultura, é necessário um autoreconhecimento e um reconhecimento do grupo. Acredito que o Kaká não se reconheça como um nerd, mas antes disso, posso garantir que o "grupo" não o reconhece como tal.

Por último, mas não menos importante: não existem nerds que ouçam Sandy & Junior.

31 de jan de 2008

Carnaval - A festa do mijão

Com o pé nos 30, descobri a razão primeira de mangueira de não gostar de carnaval. Despistando todas referências ao Baco, ao carnaval de Veneza e suas máscaras e aos pecados da carne que antecedem a quaresma que purifica para a páscoa, a verdade é que o carnaval é a festa do mijão. Bom, pelo menos aqui nessas terras.

O carnaval, quase que por definição, é uma festa de espaços abertos. Ocorre durante o alto verão, de forma que o calor é combatido por roupas leves e lugares frescos, arejados. Também por conta do calor, bate a sede. A bebida mais carioca do mundo é o chope e a cerveja, que descem na forma geométrica de sua preferência nesses suados 40º do Rio de Janeiro. A cerveja e seus derivados, como é de conhecimento popular, é diurética - aliás, um dos melhores diuréticos do mundo. Além de diurética, a cerveja é alcoólica. Não muito alcoólica, é preciso um tonel ou dois para calibrar um carioca típico.

A partir do quadro descrito acima, podemos entender que o carnaval é uma imensa concentração de bêbados com vontade de mijar. Ora bolas, para isso o poder público disponibiliza banheiros químicos pelas ruas. Mas aquele que acha que um bêbado tem a consciência de se dirigir ao banheiro químico obviamente nunca ficou bêbado. Além do mais se for homem.

Tem homem que acha que é obrigação sindical mijar na rua. Veja que em momento algum quero negar a maravilha que é ter um instrumento tão prático quanto o pau. Se eu fosse mulher - e fosse freudiana, claro - invejaria o pênis só pela simplicidade da mijada. Porém, achar que o fato de podermos fazer xixi em qualquer lugar é razão mais do que suficiente para fazê-lo, é acreditar que um país tem o direito de desafiar a soberania de outro só por que é economicamente mais rico ou tem maior poder bélico.

Ok, eu sei que transformar a mijada do carnaval num incidente internacional é um óbvio exagero da minha parte, mas creio que vocês pegaram o ponto. Devo lembrar que mijar o Rio de Janeiro todo durante o carnaval não é uma exclusividade masculina. Esses dias mesmo, numa mesa de bar, ouvi uma menina dizer "é por isso mesmo que eu uso saia no carnaval". Não a culpo de modo algum, se eu fosse mulher e dependesse de banheiros químicos freqüentados por bêbados mijões, eu também o faria no meio da rua. E nem precisaria ser freudiana para isso.

26 de jan de 2008

Resistir é inútil

Hoje, a caminho do mercado, ouvi dois rapazes comentando: "casamento é como uma piscina com água fria, você sempre espera um otário dar o primeiro mergulho antes de cair na água".

No mesmo instante, pensei que, dada uma interface neural wi-fi, eu twittaria essa máxima e compartilharia essa experiência. Na medida em que as tecnologias ganham velocidade de processamento e interface (ajax e outras tecnologias push), o conteúdo colaborativo se torna mais dinâmico, plural e presente. Essa coisa 2.0 de ser.

Mais do que produzir conteúdo, a hiperconectividade também é receber conteúdo. Uma interface neural como a citada acima ia permitir a consciência de experiências diversas em tempo real. No momento em que eu ouvisse a máxima popular sobre casamento, um grupo de pessoas iria "ouvir" também. O ouvir entre aspas mesmo, pois estou falando de uma cognição nova que é a tomada de consciência via wi-fi neural. Alguém falou em sexto sentido?

Essas tendências incipientes que tentamos catalogar como crowdsourcing, twitter, RSS, followers, lifecasting, conteúdo colaborativo e afins é, em verdade, uma vivência Borg. Diferente da ficção, e bem de acordo com a dinâmica contemporânea, não haverá mais espaço para mecânicas totalitárias, onde um é todos é todos são um. A nova comunicação é few to few, algumas pessoas compartilham com outras algumas pessoas que compartilham com outras tantas. Além disso, haverá identidade. Esta será traçada nas interseções entre coletivos cognitivos, cuja variação será do tamanho do número de pessoas envolvidas. Cada um será (e não terá) uma política exclusiva de imersão em grupos. O jogo da identidade será a equação entre o que eu produzo (e compartilho) e o que eu consumo.

Os coletivos cognitivos serão esses agrupamentos de experiências compartilhadas e filtradas ao sabor do usuário. Podemos imaginar que o conteúdo da web 1.0 era a informação (home pages e portais de conteúdo), o conteúdo da web 2.0 são pessoas (redes sociais e conteúdo colaborativo) e a web n.0 terá cognições como conteúdo (?).

23 de jan de 2008

Ação Social RJ - A continuação

Como foi combinado desde o início da movimentação, a Ação Social dos blogueiros e simpatizantes (afinal o movimento teve a adesão de mais gente sem blog do que com blog) do Rio de Janeiro é um trabalho contínuo.

A primeira visita realizada no Instituto Imaculada Conceição no dia 15 de dezembro do ano passado serviu para conhecermos o lugar e, o principal, sentir carinho por ele. Somos - eu ao menos sou, mas acredito poder falar pelo grupo e demais interessados - contra assistêncialismo anônimo, onde movidos pelos sentimento de fim de ano faz-se algum movimento na direção de ajudar alguém. Muitas vezes por telefone ou com o mínimo de contato o possível. Mesmo que os participantes dessa idéia busquem (e são completamente livres para isso) outros lugares para prestar seu apoio, o Instituto Imaculada entrou em nosso calendário após vermos com os próprios olhos a seriedade da instituição.

Seriam necessários outros muitos posts para listar as histórias incríveis que ouvimos naquele sábado. Histórias de superação, de cidadania resgatada, de carinho, de amor, de responsabilidade e disciplina necessária para manter um lugar que recebe menores em condições e origens tão diversas e, em sua maioria, tristes. Melhor do que tentar recontar essas histórias, é incentivar e prover ao Instituto as ferramentas que os possibilite essa narração, tudo com sob sua presente aprovação dos responsáveis. O Instituto há de virar nosso cliente.

Agora a Ação vai voltar lá!

Dia 26 de Janeiro de 2008
Sábado
as 10:00h

Encontro nas barcas em niterói

De lá, partiremos para o Instituto para entregar os Kits de higiene bucal gentilmente doados pela Sanifill especialmente para a Ação Social RJ. Além de conhecer ainda mais as crianças e a Instituição.

Se você conhece alguém que seja dentista e queira usar a manhã de sábado para participar desse movimento, fale com ele! Um especialista seria muito bem-vindo!

Para todas as informações sobre como chegar lá e participar desse movimento, dê uma lida no primeiro post da Ação.

Vejo vocês lá!

5 de jan de 2008

Reportando Bug do Orkut

Então eu estava em casa, numa sexta-feira à noite, respondendo e.mails e fazendo outras coisas online que sempre ficam para depois. Quando vou buscar um contato no orkut, me deparo com esse resultado:



Como trabalho com desenvolvimento, me senti na obrigação de reportar o erro e ajudar a fazer um orkut mais bonito. Olhei de um lado, olhei do outro, fucei algumas páginas e nada de achar um formulário ou e.mail específico para o reportar bugs. Até que encontrei o blog oficial do Orkut no Brasil e achei que poderia ser simpático enviar para eles. Quem o mantém são os desenvolvedores da equipe brasileira do google e estes podem encaminhar o problema para quem é de direito.

Bom, eu já falei que é madrugada de sexta não é? Aquele momento em que você faz tudo com a calma que a semana não deixou você ter. Eis o e.mail que enviei para eles:


Olá,

Juro que procurei um e.mail ou formulário mais correto para reportar esse erro, mas não encontrei.
Acredito que vocês do blog podem encaminhar essa questão para o verdadeiro responsável.

Na imagem em anexo vocês podem que eu fiz uma busca na página de amigos por "leuk" e percebi que uma grande quantidade dos meus amigo tem como "animal de estimação" um ik vind ze leuk in de dierentuin. Garanto que eu conheço toda a minha lista de amigos pessoalmente, inclusive uma das pessoas que aparece no screen shot é minha tia e outra é um amigo de infância. Eu saberia se eles tivessem um ik vind ze leuk in de dierentuin de estimação. Eu inclusive gostaria muito de saber como se parece um ik vind ze leuk in de dierentuin. É um mamífero ou uma ave? Por um instante me ocorreu que ik vind ze leuk in de dierentuin fosse um nome que as pessoas dessem a cachorros ou gatinhos, mas o que faria tanta gente chamar seu animal de estimação de ik vind ze leuk in de dierentuin? Deve ser difícil de adestrar um cão com esse nome. Gatos são indiferentes, eles só se aproximam quando estão no clima e não quando são chamados, nem nome precisam ter. Também sei que nenhuma dessas pessoas está envolvida no culto ao ik vind ze leuk in de dierentuin que pode ser um demônio sumério-babilônico, muitas delas nem ao menos se conhecem. Bom, eu posso estar sendo enganado todos esses anos e me encontro cercado de cultistas fanáticos. Pensando no assunto, a única conexão que todas essas pessoas têm, sou eu, logo começo a acreditar que sou o ik vind ze leuk in de dierentuin e que todos crêem ser eu o animal de estimação delas. Agora entendo os afagos.

Muito obrigado pelos momentos de reflexão.

--
ik vind ze leuk in de dierentuin
http://opiumseed.blogspot.com
http://fotolog.net/opiumseed


Eu mando os e.mails que eu gostaria de receber, acho justo.