31 de jan de 2008

Carnaval - A festa do mijão

Com o pé nos 30, descobri a razão primeira de mangueira de não gostar de carnaval. Despistando todas referências ao Baco, ao carnaval de Veneza e suas máscaras e aos pecados da carne que antecedem a quaresma que purifica para a páscoa, a verdade é que o carnaval é a festa do mijão. Bom, pelo menos aqui nessas terras.

O carnaval, quase que por definição, é uma festa de espaços abertos. Ocorre durante o alto verão, de forma que o calor é combatido por roupas leves e lugares frescos, arejados. Também por conta do calor, bate a sede. A bebida mais carioca do mundo é o chope e a cerveja, que descem na forma geométrica de sua preferência nesses suados 40º do Rio de Janeiro. A cerveja e seus derivados, como é de conhecimento popular, é diurética - aliás, um dos melhores diuréticos do mundo. Além de diurética, a cerveja é alcoólica. Não muito alcoólica, é preciso um tonel ou dois para calibrar um carioca típico.

A partir do quadro descrito acima, podemos entender que o carnaval é uma imensa concentração de bêbados com vontade de mijar. Ora bolas, para isso o poder público disponibiliza banheiros químicos pelas ruas. Mas aquele que acha que um bêbado tem a consciência de se dirigir ao banheiro químico obviamente nunca ficou bêbado. Além do mais se for homem.

Tem homem que acha que é obrigação sindical mijar na rua. Veja que em momento algum quero negar a maravilha que é ter um instrumento tão prático quanto o pau. Se eu fosse mulher - e fosse freudiana, claro - invejaria o pênis só pela simplicidade da mijada. Porém, achar que o fato de podermos fazer xixi em qualquer lugar é razão mais do que suficiente para fazê-lo, é acreditar que um país tem o direito de desafiar a soberania de outro só por que é economicamente mais rico ou tem maior poder bélico.

Ok, eu sei que transformar a mijada do carnaval num incidente internacional é um óbvio exagero da minha parte, mas creio que vocês pegaram o ponto. Devo lembrar que mijar o Rio de Janeiro todo durante o carnaval não é uma exclusividade masculina. Esses dias mesmo, numa mesa de bar, ouvi uma menina dizer "é por isso mesmo que eu uso saia no carnaval". Não a culpo de modo algum, se eu fosse mulher e dependesse de banheiros químicos freqüentados por bêbados mijões, eu também o faria no meio da rua. E nem precisaria ser freudiana para isso.

26 de jan de 2008

Resistir é inútil

Hoje, a caminho do mercado, ouvi dois rapazes comentando: "casamento é como uma piscina com água fria, você sempre espera um otário dar o primeiro mergulho antes de cair na água".

No mesmo instante, pensei que, dada uma interface neural wi-fi, eu twittaria essa máxima e compartilharia essa experiência. Na medida em que as tecnologias ganham velocidade de processamento e interface (ajax e outras tecnologias push), o conteúdo colaborativo se torna mais dinâmico, plural e presente. Essa coisa 2.0 de ser.

Mais do que produzir conteúdo, a hiperconectividade também é receber conteúdo. Uma interface neural como a citada acima ia permitir a consciência de experiências diversas em tempo real. No momento em que eu ouvisse a máxima popular sobre casamento, um grupo de pessoas iria "ouvir" também. O ouvir entre aspas mesmo, pois estou falando de uma cognição nova que é a tomada de consciência via wi-fi neural. Alguém falou em sexto sentido?

Essas tendências incipientes que tentamos catalogar como crowdsourcing, twitter, RSS, followers, lifecasting, conteúdo colaborativo e afins é, em verdade, uma vivência Borg. Diferente da ficção, e bem de acordo com a dinâmica contemporânea, não haverá mais espaço para mecânicas totalitárias, onde um é todos é todos são um. A nova comunicação é few to few, algumas pessoas compartilham com outras algumas pessoas que compartilham com outras tantas. Além disso, haverá identidade. Esta será traçada nas interseções entre coletivos cognitivos, cuja variação será do tamanho do número de pessoas envolvidas. Cada um será (e não terá) uma política exclusiva de imersão em grupos. O jogo da identidade será a equação entre o que eu produzo (e compartilho) e o que eu consumo.

Os coletivos cognitivos serão esses agrupamentos de experiências compartilhadas e filtradas ao sabor do usuário. Podemos imaginar que o conteúdo da web 1.0 era a informação (home pages e portais de conteúdo), o conteúdo da web 2.0 são pessoas (redes sociais e conteúdo colaborativo) e a web n.0 terá cognições como conteúdo (?).

23 de jan de 2008

Ação Social RJ - A continuação

Como foi combinado desde o início da movimentação, a Ação Social dos blogueiros e simpatizantes (afinal o movimento teve a adesão de mais gente sem blog do que com blog) do Rio de Janeiro é um trabalho contínuo.

A primeira visita realizada no Instituto Imaculada Conceição no dia 15 de dezembro do ano passado serviu para conhecermos o lugar e, o principal, sentir carinho por ele. Somos - eu ao menos sou, mas acredito poder falar pelo grupo e demais interessados - contra assistêncialismo anônimo, onde movidos pelos sentimento de fim de ano faz-se algum movimento na direção de ajudar alguém. Muitas vezes por telefone ou com o mínimo de contato o possível. Mesmo que os participantes dessa idéia busquem (e são completamente livres para isso) outros lugares para prestar seu apoio, o Instituto Imaculada entrou em nosso calendário após vermos com os próprios olhos a seriedade da instituição.

Seriam necessários outros muitos posts para listar as histórias incríveis que ouvimos naquele sábado. Histórias de superação, de cidadania resgatada, de carinho, de amor, de responsabilidade e disciplina necessária para manter um lugar que recebe menores em condições e origens tão diversas e, em sua maioria, tristes. Melhor do que tentar recontar essas histórias, é incentivar e prover ao Instituto as ferramentas que os possibilite essa narração, tudo com sob sua presente aprovação dos responsáveis. O Instituto há de virar nosso cliente.

Agora a Ação vai voltar lá!

Dia 26 de Janeiro de 2008
Sábado
as 10:00h

Encontro nas barcas em niterói

De lá, partiremos para o Instituto para entregar os Kits de higiene bucal gentilmente doados pela Sanifill especialmente para a Ação Social RJ. Além de conhecer ainda mais as crianças e a Instituição.

Se você conhece alguém que seja dentista e queira usar a manhã de sábado para participar desse movimento, fale com ele! Um especialista seria muito bem-vindo!

Para todas as informações sobre como chegar lá e participar desse movimento, dê uma lida no primeiro post da Ação.

Vejo vocês lá!

5 de jan de 2008

Reportando Bug do Orkut

Então eu estava em casa, numa sexta-feira à noite, respondendo e.mails e fazendo outras coisas online que sempre ficam para depois. Quando vou buscar um contato no orkut, me deparo com esse resultado:



Como trabalho com desenvolvimento, me senti na obrigação de reportar o erro e ajudar a fazer um orkut mais bonito. Olhei de um lado, olhei do outro, fucei algumas páginas e nada de achar um formulário ou e.mail específico para o reportar bugs. Até que encontrei o blog oficial do Orkut no Brasil e achei que poderia ser simpático enviar para eles. Quem o mantém são os desenvolvedores da equipe brasileira do google e estes podem encaminhar o problema para quem é de direito.

Bom, eu já falei que é madrugada de sexta não é? Aquele momento em que você faz tudo com a calma que a semana não deixou você ter. Eis o e.mail que enviei para eles:


Olá,

Juro que procurei um e.mail ou formulário mais correto para reportar esse erro, mas não encontrei.
Acredito que vocês do blog podem encaminhar essa questão para o verdadeiro responsável.

Na imagem em anexo vocês podem que eu fiz uma busca na página de amigos por "leuk" e percebi que uma grande quantidade dos meus amigo tem como "animal de estimação" um ik vind ze leuk in de dierentuin. Garanto que eu conheço toda a minha lista de amigos pessoalmente, inclusive uma das pessoas que aparece no screen shot é minha tia e outra é um amigo de infância. Eu saberia se eles tivessem um ik vind ze leuk in de dierentuin de estimação. Eu inclusive gostaria muito de saber como se parece um ik vind ze leuk in de dierentuin. É um mamífero ou uma ave? Por um instante me ocorreu que ik vind ze leuk in de dierentuin fosse um nome que as pessoas dessem a cachorros ou gatinhos, mas o que faria tanta gente chamar seu animal de estimação de ik vind ze leuk in de dierentuin? Deve ser difícil de adestrar um cão com esse nome. Gatos são indiferentes, eles só se aproximam quando estão no clima e não quando são chamados, nem nome precisam ter. Também sei que nenhuma dessas pessoas está envolvida no culto ao ik vind ze leuk in de dierentuin que pode ser um demônio sumério-babilônico, muitas delas nem ao menos se conhecem. Bom, eu posso estar sendo enganado todos esses anos e me encontro cercado de cultistas fanáticos. Pensando no assunto, a única conexão que todas essas pessoas têm, sou eu, logo começo a acreditar que sou o ik vind ze leuk in de dierentuin e que todos crêem ser eu o animal de estimação delas. Agora entendo os afagos.

Muito obrigado pelos momentos de reflexão.

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ik vind ze leuk in de dierentuin
http://opiumseed.blogspot.com
http://fotolog.net/opiumseed


Eu mando os e.mails que eu gostaria de receber, acho justo.