31 de mar de 2008

Ação Social RJ com a Sanifill


Primeiro peço desculpas pela demora dessa satisfação.

Satisfação em diversos sentidos, eu diria. Uma satisfação à Sanifill, que gentilmente cedeu kits completos de higiene bucal (escova adulto e infantil, fio dental e Anti-sépticos) para as crianças e jovens adultos do Instituto Imaculada em São Gonçalo.

Satisfação minha e de todos os participantes em fazer esse movimento acontecer com tanto sucesso.

Poucas coisas são mais gostosas do que chegar no trabalho e dar de cara com um e.mail como esse:

A garotada esta usando diariamente os produtos da Sanifill.
Já se acostumaram. Grande abraço a todos do grupo.
José Eduardo da M. Ribeiro.



Quero partilhar essa satisfação com todos que participaram e apoiaram a idéia. Não vou nem tentar lembrar todos os nomes e citar todos os links. Foi por preciosismos como esse que este comentário atrasou longos e desnecessários meses. Acho que o grande lance é mostrar foto de gente junta e feliz, que é a razão de ser (ou pelo menos deveria) de ações como essa.


Outras fotos podem ser vistas no Flickr da Buzz Makers, empresa que viabilizou todo o contato com a Sanifill. Mais do que fazer a ponte com o apoiador, a Buzz Makers também esteve presente para conversar e estar junto com as crianças, provando que a colaboração é real e não um agenciamento frio e distante.

A Ação Social RJ já é um movimento continuativo. Já estamos pensando nas próximas colaborações com o Instituto Imaculada e outras instituições. Para o Imaculada, penso em levar as apostilas do CGI que recebi no Campus Party para equalizar conhecimentos e praticas saudáveis na Internet com a rapazeada que já tem presença digital por lá. Em passos futuros: toques, dicas e truques sobre blogagem.

Num outro movimento, penso em fazer uma Ação Social RJ no Instituto Benjamin Constant para leitura de livros para cegos. Compartilhar leituras com quem tem percepções completamente diferentes das suas é uma experiência enriquecedora.

Update da Heloisa:

O Benjamin Constant é na Glória, não Laranjeiras! Em Laranjeiras são
os surdos! O setor de livro falado deles está com equipe formada e não aceita mais voluntários por enquanto. Liguei para lá hoje e falei com a Ana Luiza, ela pegou meu telefone mas explicou que eles dão preferência a pessoas com experiência em locução.

O CDI (Comitê de Democratização da Informática) precisa de voluntários
para a montagem e manutenção de computadores. Eles vão me ligar hoje
para dar mais detalhes, mas tô achando que não é nada tão divertido
quanto o Imaculada!


Eu nem lembro de ter falado que o Benjamin Constant era em Laranjeiras, mas eu estava REALMENTE confundindo. Será que a Heloisa lê mentes ou será que eu twittei isso e não lembro?

Em tempo, eu já havia pensado em ativar o CDI para a montagem do laboratório de informática do Imaculada. Se você, amigo leitor, tiver alguma dica, truque ou sugestão, mande ver nos comentários.

9 de mar de 2008

Caffos Party e CampusParty.zip

Primeiro eu tirei férias depois de 12 anos de trabalho. Gostei, recomendo a todos esse lance de férias. Super diferente e bacana.

Depois eu decidi pegar uma semana inteira das minhas férias e passá-la em São Paulo dentro de um prédio com uma pequena multidão de nerds indo ao Campus Party. Se o Apocalypse pode demorar quase um mês para postar sua impressão do evento, eu também posso. Enfiar uma colher com rum, café e açúcar na boca dos outros não dá a ele nenhum privilégio nesse sentido.

Objetivando não ser repetitivo e aproveitar conteúdo, segue meu comentário no tópico sobre o Campus Party na comunidade de Cibercultura no Orkut. Em itálico, o texto copiado, sem formatação especial os comentários e adendos para esse post.

Oi, eu fui no CP.

Fiquei de segunda a domingo. Segunda nada aconteceu pois foi o credenciamento. Este foi rápido e eficiente pelo menos para mim. Os casos de confusão e problemas que eu vi no credenciamento não chegaram a mostrar uma falha sistemática. Acampei lá de terça para quarta, nos outros dias não.


A barraca era apertada e quente. Junte isso as pessoas sem noção gritando e conversando no acampamento a qualquer hora da noite/madruga/dia e pronto. Não sou fresco, entendam que eu estava de férias e o mínimo que eu podia pedir era conforto.

Eu não sei qual é a relevância dos CP. Concordo que levou a "cultura digital" para a mídia, mas não sei se vai além disso ou se isso em si é algo tão bom que justifique um investimento tão alto. Será que com muito menos e o evento/estratégia correto não se tem muito mais exposição? Já que esse parece ter sido a única coisa bacana?

Aqui eu estou fazendo referência ao rumo que a conversa estava tendo no tópico, que frisou muito sobre a questão da exposição. Sobre isso em especial devo dizer que apareci na Globo News na segunda feita a noite falando que era Designer de Robôs e iríamos construir robôs gigantes no evento. Entupi a reporter iluminada (aqui no sentido de luzes no cabelo) com desinformação de qualidade. Oficialmente para a TV brasileira, os nerds sempre andam com io-ios. Vocês podem me ver falando bobagem aqui, mas é uma outra bobagem e não o lance do io-io robô gigante.

Digo isso por que as pessoas presentes no evento não representam a cultura digital nesse país. Programadores, designers, intelectuais e outras pessoas que poderiam contribuir para o debate e torná-lo menos simplório costumam ter expedientes e trabalhar durante a semana.

Tirando nonoempresários e suas start ups, pessoas que tiraram férias para ir no evento (meu caso) e pessoas cujo as empresas liberaram uma semana sabática, o evento foi preenchido por estudantes e adolescentes.

Nada contra estudantes e adolescente, pelo contrário. Dava gosto ver a galera ali. Principalmente o pessoal de robótica e astronomia, disparadas as melhores áreas do campus. A questão é que todas as palestras e debates tinham um ar introdutório. Toda uma maquilagem de novidade aplicada sobre trivialidades, fumaça e espelhos. Se somar todos os grandes debates e palestras do evento, mal dava um fim de semana. O evento durou muito mais tempo do que conseguiu sustentar qualidade.


Espero não ser mal interpretado nesses parágrafos. A faixa etária do evento circulou em torno de 23 anos e quando eu tinha essa idade tudo era novidade para mim também. Observando com calma os relatos sobre o evento original na Espanha e sua versão brasileira (herbert-richards) ficou notório que o evento não é para mim. Além disso, muita gente realmente boa de dialogar e trocar informação não pôde ir no evento por questões de trabalho. Sábado e domingo? Nada aconteceu. Domingo foi o encerramento e o sábado foi o dia de maior exaustão acumulada entre os participantes. Como não havia preço reduzido para os dois últimos dias (o evento custou R$100 para todo mundo independente dos dias de participação), era um tanto estúpido imaginar que ir no fim de semana valeria a pena.

Do que valeu a brincadeira então? Em uma palavra: network. Num contexto em que "quem você conhece" tem mais valor do que "o que você sabe", um lugar que agregue interessados em determinada área (sejam estudantes, adolescente ou o steve jobs) já tem valor em si. Porém, se é para isso, vamos rodar o país nos BarCamps, que são mais baratos, mais livres e divertidos.

Acredito eu ser essa a grande concordância do evento. Conhecer, ver e ser visto foi o grande assunto o tempo todo. "Conheci fulano", "conversei com cicrano" e frases afins eram twittadas e blogadas a cada instante. Sobra então a pergunta: precisa de um escarcéu desse tamanho para incentivar a network? Campus Party parece uma estratégia publicitária no que tange a usar um canhão de plasma para matar um mosquito. Quero um CampusParty.zip. Um fim de semana bem organizado, onde as pessoas naturalmente vão trocar informação estimula o network tanto quanto um Ibirapuera tomado de estandes de grandes marcas do setor e ainda sai mais barato. Ei, o que eu falei é igual a um BarCamp! Pois é, essa é a idéia mesmo.

Também não quero dizer que não houve conteúdo no Campus Party, claro que houve. Muitas palestras interessantes tiveram a oportunidade de acontecer e sofrer com a interferência da palestra que estava sendo dada ao lado. O péssimo planejamento do espaço também é um tipo de concordância entre os "campuseiros". O que houve com a consagrada cultura de salas que os BarCamps já mostraram ser tão eficiente?

A Internet de 5 gigas da telefônica? Bacana, baixei um arquivo de 100 megas em 3 minutos. Fiquei impressionado com os números que mostram que a banda do evento foi usada mais para upload do que para download. Super afinado com o discurso de abertura do Gilberto Gil, onde ele sinalizou que inclusão digital era ensinar uma pessoa a fazer mais upload do que download. Nem preciso dizer que isso é uma mudança epistemológica sem igual. Se o campus party serviu só para evidenciar esse fato, já valeu parte boa do seu orçamento.

A área aberta do evento parecia uma feira de ciências do século XXII, mas numa escola municipal do Piauí. Tudo muito meia boca, jogado e sem o menor carinho. Os melhores estandes obviamente eram das empresas, que te agraciavam com brindes mil em troca de qualquer bobagem. Ser alvo da batalha das marcas parecia ser o único propósito, pois as exposições de tecnologias "de ponta" e "futurísticas" eram mambembes, desorganizadas e sem graça. Alguém pode falar que essa minha opinião amarga sobre a área aberta do evento é devido aos 3 tombos horrorosos que eu tomei dentro da virtusphere, mas não é. Essa opinião nasceu no meu coração depois que o francês escroto que apresentava a DIT (Digital Interactive Table) me expulsou do brinquedo dele para demonstrar para imprensa. Ei, sr. francês, enfia a sua interface de toque na bunda. Já tem coisa bem mais impressionante rolando por aí, quando você aprender a tomar pelo menos dois banhos por dia volta para falar comigo. Os gringos da Virtusphere passavam qualquer um da imprensa para a frente da fila sem nem se importar com quem estava há vários minutos esperando, mas se eu mandar eles enfiarem aquela gaiola mal feita e sem o menor poder de imersão no traseiro e sem a menor jogabilidade vão achar que é implicância minha.

Por fim, o lance das barracas. Ah, o lance das barracas. Todo um bate boca prévio, uma patente falta de educação, profissionalismo, ética e vergonha na cara por conta da organização do evento. A cada dia novas notícias nasciam desencontradas. Ora pode, ora não pode levar as barracas para casa. Ora só os pagantes, ora só os pagantes e os ganhadores de promoção, mas só de certas promoções, não de todas. No fim, quem quis levar levou roubando. Furou a segurança e fez o que bem quis. Aqui é assim, o roubo vira protesto vazio, o que te negam vira um prêmio de malandragem aplicada. Pior do que isso é outra mania bem brasileira de transformar indignação em deboche. Na palestra de abertura, um dos organizadores principais me solta "eu nem sabia que brasileiro gostava tanto de barraca". Não mandei ele enfiar as barracas na bunda por que temi não sobrar barraca alguma para ser roubada. Alguém precisa lembrar a ele que não só o brasileiro, mas qualquer um, gosta que a organização de um evento cumpra o que promete.

Qual foi a maior diversão das minhas férias então? Caffos Party. Caffo e Taiza são excelentes anfitriões. Receberam a mim, a tati, fzero e renata em seu maison no moema e proporcionaram uma semana inteira de gargalhadas e piadas nerds, muito video game, passeios pelo que são paulo tinha de melhor (restaurantes japoneses e lojas de RPG), batalhas meméticas, café e bolo. O Caffos Party é infinitamente melhor que o Campus Party. Tudo que é prometido é cumprido. Bom, nem tudo. A visita a Luderia e o show do UDR ficaram para a próxima. Mas pelo menos lá os chuveiros têm porta.

6 de mar de 2008

Lifecasting e máscaras mortuárias.

O parônimo entre Lifecasting - enquanto cópias esculturais feitas a partir de alguém vivo; Máscara mortuária; Casca sobreposta a um corpo vivo com o fim de reproduzi-lo - e Lifecasting - como transmissão da própria vida por webcans e outros recursos na internet - terá um sentido ainda mais mórbido.

Aquilo que é transmitido é uma sobreposição da pele. Transmite-se a autoimagem construída pela coisificação do cotidiano. Na verdade não é um parônimo. É ainda a mesma palavra, só que em contextos diferentes. Como uma casa de barro e uma casa (home) principiando um site. Não importa onde seja, casa é sempre o lugar de onde se parte.