30 de out de 2008

O valor dos Early Leavers

Não tem muito tempo, joguei no Twitter a idéia de que os Early Leavers de um serviço são mais valiosos que os seus Early Adopters. Desenvolver uma idéia no twitter poder ser um esforço ingrato. 140 toques não costumam ser o suficiente para colocar todos os parênteses e digressões necessárias para um bom entendimento.

Trago a idéia para cá para poder complementá-la.

Vamos pensar em duas formas de pensar negócios online. Numa você quer sucesso imediato. Você quer hype e buzz de forma a empilhar o maior número de usuários o possível. Seu objetivo é demonstrar em números que sua idéia tem potencial e com isso chamar a atenção de um investidor ou ser comprado por uma das grandes empresas do mercado. Essas ferramentas costumam ser serviços gratuitos. Do outro lado disso, temos projetos que querem comercializar um produto ou solução, seja uma assinatura ou um produto de consumo. Para esses casos é preferível ter uma base estável e consumidores assíduos e não apenas uma bola de neve de adeptos.

O early addopter muitas vezes é só um geek sendo movido pelas tendências e querendo firmar sua presença no novo "momento digital". Por questões evidentes, o early addopter pode ver muito potencial na sua ferramenta mas não a conhece. Já o early leaver é alguém que conhece sua ferramenta, provou e não gostou. Cabe então ao empreendedor sagaz buscá-lo e atendê-lo.

Mais do que um usuário que seja só elogios, as primeiras pessoas que deixam o seu serviço o conhecem por dentro e sabem suas falhas. Eles podem apontar demandas e ajudar a organizar o backlog de desenvolvimento do seu produto, te ajudando a elencar features que tenham maior poder de retensão de usuários.

É preciso lembrar também que são estes usuários que iniciam o buzz migratótio da próxima "febre" para onde os maniacos por uma "early addoption" irão da próxima vez. Dessa forma, o early leaver é mais valioso do que o early addopter e deve ser alvo de ações de retenção e de obtenção de conhecimento. Descobrir o que os fez sair e atender essa demanda, até mesmo premiando boas dicas e retornos, é uma estratégia para manter sua ferramenta sempre renovada e fidelizar sua base de usuários.

28 de out de 2008

Um pequeno momento na Hollywood Imaginária

O Danny Trejo queria saber as horas:



Aí ele viu o Patch Adams e perguntou:

- Ei, Patch Adams, que horas tem?

- Pele e pelo, respondeu Patch Adams.



- Como é? - Perguntou Danny - Que gracinha é essa agora?

- Eu vejo as pessoas olharem para o pulso quando querem saber as horas. Então elas falam as duas coisas que estão vendo. Duas e cinco, Quatro e trinta... Como não tenho relógio, no meu pulso só vejo pele e pelo.

Danny Trejo, que não gosta de brincadeiras, pegou um facão e cortou a mão do Patch Adams.

- E agora, espertinho, que horas tem?

- Carne e osso.

19 de out de 2008

Wordle

Você aponta para um site ou escreve um texto e ele faz uma linda composição tipográfica com as palavras em uso as organizando por tamanho usando sua incidência com critério.

Do que falo tanto sobre motoristas? Somente o idispensável?



E para provar que o mecanismo funciona, segue o Manifesto Comunista como uma nuvem de Tags, mostrando que o texto fala mais da burguesia do que do próprio proletariado.

10 de out de 2008

É um absurdo

É uma palhaçada.
Falta do que fazer.

É assim que vejo muitos se referindo à greve dos bancos. Como toda hora os bancos fazem greve, toda hora vejo e ouço isso.

Impressionante. Muitos realmente não se importam com as condições em que os bancários trabalham desde que continuem atendendo. Banco, água, luz, telefone, polícia são infraestrutura. Infraestrutura é aquilo que você só percebe que existe quando falta. Você não pensa sobre o processo exigido para que a água chegue na sua casa a menos que você dê a descarga e o amigo do último post não dê tchau.

Parece que os trabalhadores da infraestrutura têm obrigação de ser tão invisíveis quanto ela. Sempre que esses reclamam, acabam levando a culpa. É uma relação mais cruel do que a do senhor de escravos. Por pior que um senhor fosse, o escravo ainda era um sinal de status, precisava estar alimentado e disposto para trabalhar e, nessa formação unicamente brasileira, senhor e escravo ainda se relacionavam no melhor estilo casa grande - senzala. Só por que a maioria das pessoas trabalha em condições desumanas e não tem culhões ou organização para reclamar, aqueles que o fazem "não têm mais o que fazer". É, é um absurdo mesmo.

O "inimigo" se mantém invisível e risonho. Penso a mesma coisa quando vejo um ambulante de ônibus reclamando de um motorista e vice versa. Funciona assim: o ambulante, armado com o seu fantástico gancho de balas e paçocas, pede para o motorista para entrar pela frente. Se o motorista permitir, a câmera que tem dentro do ônibus vai registrar e ele pode perder o emprego por estar permitindo que alguém entre de graça na condução. Se o motorista de ônibus não permitir, o vendedor ambulante deixa de vender. Um odeia o outro. O vendedor vê o motorista como alguém que não o está permitindo trabalhar e o motorista vê o vendedor como alguém que está atrapalhando e ameaçando o seu trabalho.

No fim das contas, quem realmente gerou a falta de trabalho do ambulante e a vida coercitiva do motorista está, metaforicamente falando, vivendo algum conforto que nenhum dos dois personagens têm. Houve uma época em que se sonhava com a união do motorista e do ambulante. Achava-se de verdade que eles entenderiam que existe um inimigo em comum e manifesto num sistema desigual de classes sociais e que eles acabariam com tudo isso, formando uma nova sociedade.

Acabada a infância, todo mundo fica feliz quando todos os envolvidos esquecem a briga, abaixam as cabeças e continuam seus caminhos. O motorista dirigindo, o vendedor vendendo, o caixa do banco atendendo e assim por diante. Assim, ninguém sai ferido.

"ninguém mais aguenta tanta violência, não é mesmo, minha gente?"

Indicador de probreza: avistamento de cocô

Me ocorre que um excelente indicador para pensar a sua situação de pobreza é com que freqüência você vê cocô.


  • Se você vê cocô transbordando de bueiros e valas ou então barros largados por mendigos na calçada, você deve morar num lugar péssimo (como um subúrbio sujo ou o centro do Rio) logo você é pobre.

  • Se você sempre vê um cocô boiando na privada de sua casa então você deve morar com um bando de gente porca e pobre. Ou então você é pobre e mora num lugar péssimo que tem um encanamento mal ajambrado e, devido ao refluxo, sempre tem um hóspede indesejado na sua privada.

  • Se nos banheiros dos lugares que você freqüenta (seja o trabalho, o bar, o boteco, a boate ou a casa de um amigo) sempre tem um toletão sincero louco para ver e ser visto, então você só vai em lugares da pior qualidade. Logo você é pobre.


Recomendo ao amigo leitor uma reflexão sobre avistamento de merda. Há o risco da percepção saturar-se e nem notá-la mais, criando um certo blasé em relação ao cocô. Porém, o distanciamento reflexivo é importante para nunca perder a merda de vista e nunca se tornar insensível à ela como nos tornamos insensíveis à violência tamanha é sua exposição e banalização. Precisamos estar preparados para a merda.

Atenção à merda, nunca a perca de vista. Ela diz muito sobre quem você é e como você se posiciona frente ao mundo.

8 de out de 2008

A grande discussão da nova comunicação

Funciona assim, olha:

1) Os meios de comunicação em massa não apuram corretamente suas informações e falam um monte de bobagem. Além disso, são tendenciosos, oportunistas e parciais.

2) Cidadão indignado com a desinformação promovida pelos meios de comunicação de massa aproveita a revolução das tecnologias telemáticas, digitais e microeletrônicas para produzir sua própria informação.

3) Ao produzir sua própria informação, o cidadão indignado não apura corretamente suas informações, fala um monte de bobagem e, além disso, é tendencioso, oportunista e parcial.

4) Os meios de comunicação em massa ficam indignados com a desinformação produzida pelos cidadãos indignados, então eles passam a convidá-los para produzir conteúdo de graça em seus canais de informação. Ao mesmo tempo, os meios de comunicação em massa acusam os cidadãos indignados que se tornaram produtores de informações de falarem um monte de bobagem, serem tendenciosos, oportunistas e parciais.

5) Os cidadãos indignados que não foram convidados para produzir informação de graça num grande meio de comunicação em massa e estão sendo acusados de falar bobagem, serem tendenciosos, oportunistas e parciais voltam ao tópico 2.