3 de dez de 2008

Cansado de olhar

Quando eu comecei a estudar Design, uma professora muito boa que tive logo nos primeiros períodos disse que "design era um modo de olhar". Com isso ela quis dizer que nunca mais íamos olhar as coisas da mesma forma. Depois que você estuda semiótica e descobre o que cérebro é uma máquina de perceber padrões e produzir sentidos você passa a pensar olhar através das coisas para tentar alcançar seus significados.

Quando comecei a estudar Ciências Sociais, um professor me falou que o sociólogo nunca para de trabalhar, pois seu objeto de estudo está em torno dele o tempo todo. Com isso vem a mania chata de intelectualizar tudo em volta, que transformar qualquer banalidade em questão e todo grande evento numa problemática.

Para não incomodar as pessoas em volta que, com muita razão, não querem um pentelho discursando sobre qualquer coisa, a gente aprende e guardar esse excesso de análises para si e só colocar para fora o que for conveniente para o bom papo. Embora me policie para não "invadir" ninguém com meus excessos sociológicos típicos que um graduando raso e empolgado, ainda não aprendi a me proteger desses excessos.

Acredito que deva existir um nirvana sociológico onde você aprende a desligar sua "sensibilidade sociológica" ou seja lá o que for. Um ponto onde você pode sair para curtir o carnaval sem ficar pescando os significados ocultos e as lógicas internas de cada fantasia e ritual do samba. Sinceramente? Não vejo a hora disso chegar.

Muito cansado para pensar.