21 de mar de 2009

Me deixem em Tas. Ops! Em paz!

Eu nunca segui o Marcelo Tas. Ele não publica informação que eu considero relevante. Ele é um homem da TV, da propaganda, do jornalismo de mentirinha e da crítica fácil. Poucos "quotes" contemporâneos podem ser mais rasos e inocentes do que "CQC é melhor do que o Pânico por que faz crítica política". Me poupem. Definitivamente não me estimula ou interessa.

Porém, me assusto com o número de pessoas que se surpreenderam por ele ter alugado a pena para a Telefónica. Ora, pelotas, o cara tem um programa de TV num canal aberto. Não vou ficar fazendo exercício arqueológico, mas com certeza coisas do naipe da Telefónica (se não a própria) já anunciaram em seu intervalo comercial convenientemente inflado pelo hype vazio. Por isso acho meio bobo esperar qualquer coisa diferente de uma suposta celebridade da TV quando ela decanta para a Internet.

Naturalmente, na medida em que a Internet vai se tornando cada vez mais visada como "ferramenta de comunicação", os mesmos modelos comerciais das outras mídias começam a pular a cerca e cair no quintal das mídias sociais.

Se comprometer em fazer um número de comentários sobre uma marca em seu canal particular de comunicação é marketing de interrupção. Assim como a TV interrompe o programa que você está assistindo com a "palavra dos patrocinadores", temos blogs e twitters que tem seu fluxo de conteúdo interrompido para fazer propaganda. Foi mal, internet não é isso, podem falar o que for.

A parte que mais me diverte (a minha fase de se aborrecer com isso já passou há muito) é a salada conceitual. Os marketeiros e publicitários querem fazer uso da relação diferenciada que uma persona digital conquista junto aos seus leitores, mas julgam seu poder de penetração *ui* pelos seus bazilhões de seguidores, pageviews, assinaturas de RSS e afins. Como se fosse possível o sujeito construir uma relação diferenciada de confiança com uma parte significativa desses números. O marketing se diz de nicho, mas aposta ainda é feita no genérico.

Isso gera eventos cômicos de passeios no parque que mais me lembram o Pânico levando indigentes para comer num restaurante de luxo. E da-lhe isotônico indo parar na mão de gordos sedentários ao invés de desportistas que compartilham suas experiências com pessoas com os mesmos interesses. Da-lhe galera que mal tem time indo ver jogo de futebol. Fracassos justificados apenas pelo "patotismo", a política da patota. Não por um acaso, "patotismo" parece mesmo "patetismo", a política dos patetas.

Disse uma frase ano passado num desses camps da vida que vou repetir: na internet eu escolho os meus idiotas (ou patetas). O Tas e tantos outros blogueiros e twitteiros que não me interessam, indiferente de praticarem ou não uma versão capenga do marketing de interrupção, são idiotas que não escolhi seguir.